Archive for July, 2010

O Desastre no Golfo

Sunday, July 18th, 2010

 

Cientistas relatam sinais de que o vazamento de petróleo no golfo do México está alterando a cadeia alimentar marinha ao matar ou causar doenças em diferentes criaturas e estimulando o crescimento de outras mais adequadas a um ambiente mais inóspito.

Próximo ao local do vazamento, pesquisadores já documentaram morte em larga escala de pirossomos – animais em forma de pepino e gelatinosos – que são alimento para tartarugas marinhas ameaçadas.

Cientistas dizem acreditar que os pirossomos, que possuem entre 15 e 20 centímetros, foram mortos por toxinas no óleo. Os animais acabam flutuando ao invés de afundar porque absorveram bolhas de gás carbônico enquanto filtravam água para buscar comida.

“Se os pirossomos estão morrendo porque ficam com hidrocarbonetos em seus tecidos, mas também são digeridos por tartarugas, isso também vai afetá-las”, diz Laurence Madin, diretor de pesquisa na Woods Hole Oceanographic Institution. Peixes maiores, como atum, também podem se alimentar dos pirossomos.

Ao longo da costa, gotas de óleo estão sendo encontradas dentro das conchas de jovens caranguejos, que são importantes na dieta de peixes, tartarugas e aves da região.

Além disso, como suspeita-se que caranguejos nascidos na região estejam levando esse óleo, em suas conchas, a estuários costeiros desde Pensacola, Flórida, a Galveston, Texas.

Como o óleo é carregado a longas distâncias, os efeitos do vazamento podem ser maiores que os suspeitados previamente, afirma o professor da Tulane University, Caz Taylor.

Outro problema é que a superfície do mar oleosa bloqueia luz solar necessária para sustentar plantas como fitoplâncton que, sob condições normais, seriam a base da cadeia alimentar.

Por outro lado, minúsculos organismos que consomem óleo e gás estão se proliferando.

Se estes impactos continuarem, os cientistas alertam para uma severa alteração da vida marinha e do ecossistema da região, o que também vai destruir a bilionária indústria pesqueira.

O vazamento é estimado em até 666 milhões de litros de óleo e quase 340 milhões de metros cúbicos de gás natural.

 

O Milagroso Mel

Thursday, July 15th, 2010

 

Cientistas da Universidade de Amsterdã não apenas comprovaram a ação antibacteriana do mel como mostraram que ele pode neutralizar bactérias resistentes a antibióticos, como Staphylococcus aureus e E. coli.

Os pesquisadores também deram um passo além na busca de novas formas de prevenir e tratar infecções ao descobrir qual é a substância do mel que tem essa ação.

Batizada com o sugestivo nome de defensin-1, trata-se de uma proteína presente no organismo das abelhas, por elas acrescentada ao mel.

“É importante encontrarmos produtos naturais que desativam bactérias. Eles não têm a toxicidade dos medicamentos e podem ser usados em quantidades maiores”, diz o infectologista Marcos Boulos, da Faculdade de Medicina da USP.

O uso popular do mel para tratar sintomas como dor de garganta mostra que ele tem alguma eficácia, segundo Boulos. Porém, o mel “in natura” não oferece garantia de controle da infecção.

“Além da questão da qualidade do mel, não sabemos se a substância ativa foi ingerida em concentração suficiente. A vantagem da pesquisa foi isolar a substância, o que pode levar ao desenvolvimento de produtos eficazes para cura e prevenção de infecções”, diz o médico.

Segundo o cardiologista e nutrólogo Daniel Magnoni, o mel é um nutriente de alto valor energético, que pode ajudar o sistema imunológico, mas o uso contra infecções ainda tem que ser muito estudado.

Durval Ribas, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia, diz que há alguns estudos mostrando a ação anti-inflamatória e bactericida do mel em infecções de pele. “Mas ainda não podemos confirmar o uso médico”, acrescenta.

Para os autores da pesquisa, publicada no jornal da Federação das Sociedades Americanas para Biologia Experimental, o mecanismo de ação foi esclarecido.

Eles afirmam que tanto o mel quanto a substância antibacteriana isolada (a defensin 1) têm alto valor na prevenção e no tratamento de infecções por bactérias resistentes a antibióticos.

 

As “Máquinas” de Absorver CO2

Monday, July 12th, 2010

 

As florestas tropicais, como a Amazônia, são as máquinas de fotossíntese mais eficientes do planeta. Um novo estudo internacional mostra que elas absorvem um terço de todo o gás carbônico que é retirado da atmosfera pelas plantas a cada ano.

Pela primeira vez, cientistas calcularam a absorção global de CO2 pela vegetação terrestre: são 123 bilhões de toneladas do gás por ano.

“É o dobro da quantidade de CO2 que os oceanos absorvem”, diz Christian Beer, do Instituto Max Planck para Bioquímica, na Alemanha. Ele é coautor do estudo, publicado na revista “Science”.

Selvas tropicais respondem por 34% da captura. As savanas, por 26%, apesar de ocuparem o dobro da área.

Um outro estudo, publicado na mesma edição da “Science”, mostrou que a temperatura influencia pouco na quantidade de carbono exalado pelas plantas quando elas respiram.

Havia temores de que o aquecimento global pudesse acelerar as taxas de respiração, fazendo com que florestas se convertessem de “ralos” em fontes do gás, agravando mais o problema.

Juntos, esses dados devem ajudar a melhorar os modelos climáticos, que dependem do conhecimento preciso do fluxo de carbono entre plantas, atmosfera, oceanos e fontes humanas do gás.

O trabalho de Beer também ressalta a importância das florestas secundárias na Amazônia como “ralos” para o CO2 em excesso despejado no ar por seres humanos.

Isso porque, apesar de absorverem muito carbono por fotossíntese, as florestas tropicais devolvem outro tanto ao ar quando respiram.

Florestas em regeneração, por outro lado, fixam muito mais carbono do que exalam.

O estudo usou dados de uma rede internacional, a Fluxnet, que reúne centenas de torres que servem como postos de observação pelo mundo, analisando os fluxos de CO2 na vegetação ao redor.

No Brasil há quase uma dezena de torres de fluxo, a maior parte delas instaladas na Amazônia.

“Mas ainda sabemos pouco, por exemplo, sobre pontos de transição abrupta ligados ao clima, como florestas em savanização”, diz o biólogo Antonio Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. “E ainda existem ambientes pouco mapeados, como pântanos e brejos.”