Archive for May, 2010

Miami (Parte 2)

Monday, May 31st, 2010

 

Miami, é uma cidade muito “cool”… mas muito “cool” mesmo: bonita, descolada, com vários pontos turísticos interessantes, praias e baladas que duram a noite inteira. É estranho que um destino tão legal seja meio ignorado pelos brasileiros, ou vire apenas um ponto de passagem para quem segue a Orlando. Mas o fato tem uma explicação: Miami sempre foi uma cidade extremamente aberta a imigrantes latinos, e a chegada deles por lá, principalmente no início da década de 90, acabou transformando a cidade em um reduto mais para brega do que para descolado. Mas não se engane com essa imagem do passado! Miami continua com sua diversidade maravilhosa, mas está mais chique do que nunca!

É uma cidade grande, e como toda cidade grande sofre de um trânsito meio caótico… e o calor do verão é absurdo! Mas para driblar os probleminhas, nada como passear a pé por toda a cidade (que é totalmente plana), rodar pelo calçadão de Miami Beach, pedalar e se refrescar vendo o pôr do sol em um dos barzinhos da Ocean Drive.

Miami Beach

Tá bom, na verdade são duas cidades diferentes e independentes. Miami está no continente e Miami Beach é uma ilha, ligada à sua vizinha por diversas pontes. As praias de Miami Beach são bonitas, mas para o brasileiro é claro que não são a principal atração… caminhar pelas avenidas como a Collins Ave., a Washington Ave., e a Ocean Drive (que fica a beira mar) com certeza sim.

Não deixe de conhecer o bairro Art Deco, situado em South Beach (ou SoBe, para os mais íntimos). São cerca de 800 edifícios construídos neste estilo, original de Paris das décadas de 20 e 30. O visual é maravilhoso e ali você encontra todo tipo de galerias de arte, lojas, cafés, hotéis luxuosos, e um visual bem diferente. Ali também é um reduto de muito agito, sem hora para terminar. São várias festas, muitas à beira da piscina, com todo estilo de música, especialmente eletrônica.

Coconut Grove e Coral Gables

O continente também tem seu lado sofisticado, concentrado principalmente em dois bairros: Coconut Grove e Coral Gables.

Coconut Grove é, com certeza, um dos meus lugares preferidos em Miami. O lugar reúne os empreendimentos imobiliários mais caros da cidade, atraindo gente endinheirada que busca a tranqüilidade de ruas cheias de árvores, e a facilidade de ter ao seu lado lojas, restaurantes, cafés, entre outros lugares interessantes. Lá se anda muito de bicicleta e a pé, as ruas são realmente muito verdes e agradáveis. Em Coconut Grove fica o shopping Cocowalk, point bem transado com várias lojas, restaurantes e cinema.

Coral Gables também é um bairro bastante nobre, com casas enormes e lindas. Uma das principais atrações ali é a Venetian Pool, uma piscina veneziana pública, construída em 1924. São três milhões de litros de água, que no verão são repostas diariamente para que fique sempre limpa e fresca.

Downtown

Um dos lugares mais famosos para os brasileiros que vão a Miami é Downtown, com seus prédios, arranha-céus e uma tradição de lojas de eletrônicos. Houve uma época em que ali era o paraíso para quem buscava ofertas de computadores, máquinas fotográficas, filmadoras, este tipo de coisa. Esta festa toda não existe mais… muitas lojas fecharam, a crise pegou feio os comerciantes, e hoje é possível encontrar esses artigos baratíssimos em todos os lugares dos EUA, principalmente pela internet! Mas se Downtown perdeu este chamariz, ganhou outros melhores. Os grandes prédios de escritório foram reformados, as ruas ficaram um pouco mais limpas, e a vista meio futurista merece um passeio.

Por falar em futurista, uma das atrações mais diferentes de Downtown é o Metromover, um tipo de trem elevado, sem condutor (movido por computadores), que liga toda a área comercial e desemboca em estações de metrô (que também são externas). Você pode dar uma voltinha para uma vista panorâmica, já que o ingresso é gratuito!

Outro ponto bem gostoso em Downtown (mas sem nenhuma cara de centrão) é o Bayside. Fica, como o próprio nome já diz, em frente à baía, e é um centro de compras e entretenimento. Comporta um shopping ao ar livre com todo tipo de loja, restaurantes (inclusive a Hard Rock Café de Miami), e uma marina de onde saem vários passeios turísticos de barco, inclusive à noite!

Compras

Para finalizar, não podia deixar de falar um pouco das comprinhas, né? Afinal, não tem quem não adore! Pertinho de Miami fica um dos maiores shoppings dos Estados Unidos, o Sawgrass Mills, de outlets. Gente… aquilo realmente é o paraíso das compras. Pontas de estoque de lojas maravilhosas, grifes famosas, tudo muito acessível… dá para passar o dia inteiro caminhando por ali. Não fica exatamente em Miami, mas a cerca de 70 quilômetros. Se você for alugar um carro (e eu recomendo! Miami não é uma cidade fácil de andar sem ele), chega rapidinho e vale cada segundo, se boas ofertas é o que você busca!

 

Miami (Parte 1)

Saturday, May 22nd, 2010

 

As noites de Miami têm muito a oferecer aos visitantes, não importando de onde venham ou quais sejam os seus anseios, expectativas, sonhos e ambições. Em verdade, o difícil é escolher entre a imensa variedade de alternativas. A Cidade Mágica nunca dorme e reserva deliciosas surpresas para todos aqueles que se dispuserem a conhecê-la após o pôr-do-sol.

South Beach

De fato, a variedade de opções é praticamente infinita mas garanto-lhes que nenhuma noitada em Miami seria completa caso não incluísse ao menos uma passagem pelo bairro art déco, em South Beach, ponto onde a noite de Miami pega fogo.

Em um trecho de doze quarteirões ao longo da Ocean Drive — avenida litorânea que lembra muito a Avenida Atlântica antes do calçadão — pulsam os ritmos da salsa, do jazz, da techno e, também, da onipresente MPB. Pontilhada de bares, hotéis e cafés, freqüentada pela fina flor da juventude local, o lugar fervilha de animação e adrenalina. Em meio à multidão descontraída formada por gangues de jovens de diversas tribos, motoqueiros, funqueiros, rappers, vendedoras de cigarros que parecem saídas de algum episódio de Guerra nas Estrelas, performers com suas correntes, algemas, sucuris albinas e araras multicores, é fácil entender porque South Beach é o centro da vida noturna da cidade.

Caminhando ao longo da Ocean Drive é possível ouvir uma babel de idiomas, do russo ao português, do francês ao croata, e cruzar com as pessoas mais bonitas e exóticas do planeta. E embora os restaurantes fechem as cozinhas muito cedo, alguns bares só encerram o expediente às 6:00!

Aliás, cabe aqui uma pequena advertência, que vale para qualquer boêmio brasileiro, tanto nesta quanto em qualquer outra cidade dos EUA: jante cedo… ou, do contrário, não jante mais. Deixe o cinema, o teatro, o clube noturno e a discoteca para depois. Tenha sempre em mente que o norte-americano médio distribui as suas refeições de modo diferente do seu e a maioria dos restaurantes começa o jantar às 16:00 e o encerra às 22:00, no mais tardar às 23:00.

Little Havana

Mas Miami não é apenas South Beach, e sua noite feérica reserva outras muitas surpresas aos seus apaixonados freqüentadores. Os entusiastas da música latina, por exemplo, não poderiam estar mais bem localizados. A cidade possui uma ampla variedade de clubes noturnos fiéis à tradição do famoso Cabaret Tropicana, de Havana, lugares onde é possível ouvir música caribenha de excelente qualidade.

Se esta é a sua praia, meu conselho é que planeje a sua viagem de modo a poder ir à Calle Ocho — a 8th Street — na última sexta-feira do mês, oportunidade em que encontrará o lugar literalmente em festa, com exposições de obras de arte, espetáculos musicais, de dança e de performistas de rua. O evento chama-se Viernes Cultural, ou Sexta-Feira Cultural, em português, uma autêntica Festa da Raça, trescalando latinidade por todos os poros.

Durante uma semana de março, o Viernes Cultural culmina no Carnaval Miami, a maior festa de rua dos EUA. A celebração reúne mais de um milhão de visitantes vindos de todas as partes do mundo para comer, dançar e assistir apresentações das maiores estrelas da música latina. A festa, já incluída no Livro Guinness dos Recordes, é um evento imperdível.

Downtown

Embora nem tão agitada quanto South Beach ou Little Havana, Miami Downtown é uma região que vem despertando para os agitos da vida noturna. Pouco a pouco o Biscayne Corridor e o Design District têm visto a inauguração de bares, clubes noturnos e lounges sofisticados, que fornecem aos visitantes a opção de uma noite mais “chique”, com direito a tapetes vermelhos e jazz ao piano de cauda.

Afora o pop, o latino e o jazz dos pianos-bares, a noite de Miami também oferece uma enorme variedade de programas culturais mais “clássicos”, incluindo cinemas e casas de espetáculo de alto nível e, até mesmo — para a surpresa daqueles que pensam que Miami é feita apenas de sol, praia e martinis vespertinos — um corpo de baile, uma orquestra sinfônica e uma companhia de ópera de nível internacional.

Divirtam-se!

 

Amazônia Azul

Sunday, May 16th, 2010

 

Um tesouro escondido no fundo do mar, repleto de riquezas minerais e biológicas espalhadas por mais de quatro milhões de quilômetros quadrados. Este patrimônio nacional, ainda desconhecido por boa parte dos brasileiros, é a Amazônia Azul.

O território apresenta enorme potencial de desenvolvimento para o País e, assim como a Amazônia verde, está ameaçado pelos interesses internacionais e pela biopirataria. Algumas iniciativas já foram tomadas no sentido de reunir esforços para definir estratégias de melhor aproveitamento e exploração da região.

Dificuldades das pesquisas marítimas

Em dezembro de 2008, o governo federal lançou o 7º Plano Setorial para os Recursos do Mar (PSRM). Em março último, terminou o 4º Ano Polar Internacional, cujo objetivo foi o de desenvolver pesquisas científicas para conhecer os ambientes nos pólos Ártico e Antártico, suas mudanças climáticas e a interação com o meio ambiente da Terra.

No mês passado, a Universidade Federal de Rio Grande (Furg), no Rio Grande do Sul, sediou o 1º Fórum Brasileiro da Amazônia Azul e Antártica, que trouxe reflexões acerca das necessidades e dificuldades das pesquisas marítimas e na Antártica.

Recursos do mar

O Fórum reuniu por três dias mais de 500 participantes, entre estudantes de graduação, pós-graduação, pesquisa e técnicos dos ministérios do Meio Ambiente (MMA), Ciência e Tecnologia (MCT), Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca (Seap) e Marinha.

Além de discussões sobre a importância dos oceanos, do mar e Antártica, o encontro discutiu avanços na cooperação oceanográfica e o uso das pesquisas como estratégia econômica para explorar o potencial pesqueiro. No fim dos debates, os participantes apresentaram uma síntese das propostas, que fará parte de um documento a ser encaminhado ao Congresso Nacional.

O relatório final apresentado no fórum alerta para a necessidade de que os temas do oceano, dos mares e da Antártica tenham a devida relevância por parte das políticas públicas.

Profissionais para estudar o mar

Outro desafio apontado pelos pesquisadores refere-se à quantidade e continuidade de recursos destinados às pesquisas no mar. “É importante dar a esta área o correspondente prestígio, tendo em vista seu potencial econômico e social”, diz a vice-presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT), Wrana Panizzi, que representou o ministro Sergio Rezende na mesa de encerramento do Fórum.

O documento salienta ainda a importância da formação e preparação de profissionais, além de chamar a atenção para questões de caráter mais operacional, como a valorização da experiência embarcada como instrumento de formação de recursos humanos. E, mesmo com os avanços da cooperação da comunidade na área oceanográfica, é preciso que haja colaboração internacional e entre as instituições.

Acordo para pesca

No final do 1º Fórum Brasileiro da Amazônia Azul, a Seap e a Furg assinaram um Acordo de Cooperação Técnica que possibilita ações conjuntas para o desenvolvimento da cadeia produtiva da anchoíta, um pescado comum na costa brasileira, mas que ainda é pouco aproveitado economicamente.

O acordo também pretende promover ações para consolidar a pesca da anchoíta no País, fortalecer a indústria pesqueira de Rio Grande e elaborar produtos de anchoíta para consumo direto humano, priorizando a alimentação escolar.

O Fórum se encerrou com o lançamento do livro Mar e Ambientes Costeiros, organizado pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE/MCT). A publicação, que reúne trabalho de vários pesquisadores da área de oceonografia, sugere ações a serem empreendidas para subsidiar políticas públicas não apenas para o desenvolvimento da ciência, mas também para o aproveitamento dos recursos naturais do mar.

 

San Martín de Los Andes

Friday, May 14th, 2010

 

San Martín de Los Andes é o paraíso das quatro estações. A pequena cidade argentina tem lindas praias para o verão, encantadores bosques para a primavera, lagos tranqüilos para o outono e montanhas  nevadas para o inverno. Em qualquer época do ano é possível desfrutar ao máximo de todos os encantos da cidade, que ainda possui vulcões, parque nacional, estação de esqui e uma programação completa para quem gosta de esportes de aventura.

A pequena cidade, de pouco mais de 23 mil habitantes, está encravada na Cordilheira dos Andes, a sudoeste da província de Neuquén, há cerca de 40 km da fronteira com o Chile e 1.500km de Buenos Aires. Sua principal atividade sócio-econômica é o turismo sustentável, que explora toda a beleza natural do local sem prejudicar sua ecologia.

San Martin consegue reunir em um só local cenários diferentes que possibilitam a realização das mais diversas atividades, que vão de windsurf em praias ensolaradas a snowboard em montes gelados. Cascatas, fontes de água mineral, vulcões, bosques milenares, vales, e rios são apenas algumas das inúmeras atrações da região, que tem tudo para agradar a todos os gostos.

Entre as principais atrações de San Martin de los Andes estão o Parque Nacional Lanín e Monte Chapelco. O primeiro é uma reserva ecológica fundada em 1937 que protege um belíssimo bosque de araucárias e mais de 24 lagos glaciares que abriga animais exóticos como condores, cervos, javalis e pumas. O parque recebe seu nome do vulcão Lanín, cujo cume coberto de neves permanentes ultrapassa os 3.500 metros de altura. O segundo é um lugar único no país por seu moderno centro de esqui com as mais 29 pistas para a prática de esportes de inverno, além de ser uma belíssima montanha nevada rodeada pelo silêncio dos bosques de lenga (arvores típicas da região) e com uma imponente vista do Lago Lácar.

Esportes de aventura

Mergulho, canoagem, mountain bike, rafting, windsurf, trekking, esqui. San Martín de Los Andes tem muitas e ótimas opções para quem gosta de aventura. Tudo aproveitando ao máximo as belezas naturais da localidade.

Nas montanhas nevadas é possível praticar esqui e vôo livre. Em San Martín de los Andes fica o Monte Chapelco, onde há uma escola de esqui reconhecida internacionalmente com 20 anos de trajetória. Na escola se oferecem cursos de esqui alpino, nórdico, parabólico, esqui de aventura, parapente, monoesqui e snowboard. São 29 pistas de esqui com níveis variados de dificuldade para os praticantes de esportes de inverno. O vôo livre também é muito praticado na região, e é uma experiência inesquecível devido à exuberante vista de lagos glaciares e vulcões.

Nas praias de areia vulcânica é possível praticar windsurf e até surf no verão. Nos rios e corredeiras da região é possível se aventurar na canoagem ou no rafting. Nos bosques e vales existem inúmeras e fantásticas trilhas para serem percorridas de mountain bike ou a pé. O trekking, aliás, é uma das atividades mais praticadas, pois possibilita um maior contato com a natureza, além de permitir ver de perto todas as belezas do local.

 

  • Aluminé: Localizado a cerca de 140km de San Martín, este povoado é uma localidade que ainda conserva todo o encanto dos povos de montanha, cercada pela cordilheira e rodeada de bosques e povoada por uma gente que faz da cordialidade um culto. Ali ainda não chegou o barulho, a poluição nem o caos da vida moderna.
  • Hua Hum: Rio caudaloso de águas leitosas de cor turquesa, típicas de degelo, o rio Hua Hum nasce no Lago Nonthué, converte-se em rio Pirehueico no território chileno e desemboca em um lago homônimo.
  • Lago Lácar: é uma das mais belas paisagens de San Martín de los Andes. Tem uma superfície de 50km2 e uma profundidade de 58km, é rodeado por frondosos bosques nativos e praias brancas de areia vulcânica.
  • Mirante Arrayán: do cume deste belo monte é possível observar o lago Lácar e parte da cidade de San Martin.
  • Mirante Bandurrias: Próximo à cidade, esse mirante está localizado na parte mais alta do monte de mesmo nome, de onde se tem uma incrível vista de grande parte do lago Hua Hum e da cidade.
  • Monte Chapelco: onde fica uma das mais modernas estações de esqui da América Latina, com 29 pistas para prática de esportes de inverno. Rodeado por bosques de lenga (arvores típicas da região), de seu cume é possível ter uma imponente vista do Lago Lácar e do vulcão Lanín delineando o horizonte da Cordilheira dos Andes.
  • Parque Nacional Lanín: O parque recebe seu nome do vulcão Lanín, cujo cume coberto de neves permanentes ultrapassa os 3.500 metros de altura. É formado basicamente por bosques de araucária, abriga mais de 24 lagos glaciais e em sua fauna encontram-se animais exóticos como condores, cervos, javalis e pumas.
  • Quilla Quina: é uma vila mapuche (povo nativo da região) que possui uma encantadora paisagem de grande paz, com ovelhas e cabras pastando e uma fileira de coloridas casinhas e lojas de artesanato que leva ao Lago Lácar e às suas praias brancas.
  • Sete Lagos: um dos principais corredores turísticos de San Martín, é uma região de 104k que contém sete espelhos d’água de inigualável beleza, além de mirantes panorâmicos e dois parques nacionais – Lanín e Nahuel Huapi.
  • Vulcão Lanín: Seu nome é de origem mapuche e significa “fundir-se”, lembrando a fundição da lava com a neve. O Lanín possui 3.776 metros de altura e é rodeado por bosques de pehuén (araucária típica da região, que pode chegar a 70 metros de altura).
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    Desastre Ambiental

    Saturday, May 8th, 2010

     

    A conta ambiental começou a ficar bem mais salgada. As primeiras aves com o corpo coberto de óleo do vazamento da plataforma Deepwater Horizon no Golfo do México foram encontradas na costa da Lousiana, onde a mancha de óleo do tamanho da metade de Sergipe continua em direção a costa. O acontecimento, tanto temido pelas autoridades americanas quanto pelos ambientalistas, traz um prejuízo econômico de cerca de bilhões de dólares.

    O óleo não poderia ter sido derramado em momento pior. O mêses de abril e maio marcam a temporada de reprodução de peixes, pássaros, tartarugas e outras criaturas marinhas no Golfo do México. Durante esse período, as espécies, por instinto, tendem a se assentar e, com isso, ficam impossibilitadas de reagir a tempo e fugir do perigo. Segundo afirmam pesquisadores, 90% de todas as espécies marinhas do Golfo do México fazem uso das regiões costeiras e dos estuários do Rio Mississipi ao menos uma vez na vida para reprodução.

    A costa da Lousiana, local onde se encontram 40% das regiões de mangue dos Estados Unidos, é pouso para mais de cinco mil espécies de aves migratórias. A lista completa dos animais na mira do óleo inclui 400 espécies, encabeçada pelo atum-azul, em alto perigo de extinção. Das sete espécies de tartarugas marinhas do mundo, cinco migram para a região para cuidar de seus filhotes em abril. Tubarões e mamíferos marinhos, como as baleias Cachalote, Azul, Fin e Sei também nadam no óleo. Uma equipe do Greenpeace dos Estados Unidos está a caminho da Lousiana para documentar e expor os impactos ambientais causados pelo vazamento de óleo

    Leandra Gonçalves, coordenadora da campanha de oceanos do Greenpeace Brasil, na região de Abrolhos. Greenpeace / Lunaé Parracho “As aves marinhas possuem um óleo natural que cobre o corpo e as possibilita de mergulhar no mar sem afundar”, explica Leandra Golçalves, Coordenadora da Campanha de Oceanos do Greenpeace. Com o tingimento das penas de negro petróleo, as aves perdem esta cobertura natural e ficam impossibilitadas de mergulharem. “Isto sem falar nos níveis de toxicidade a qual os peixes e as baleias estão expostos. A cada vez que uma baleia vai à superfície para respirar, está levando petróleo aos pulmões”, acrescenta Leandra.

    O acidente, causado por uma falha no sistema de segurança de uma plataforma construída em 2001 usando a mais recente tecnologia para a área pode vir a se tornar o maior da história dos Estados Unidos. Estimativas oficiais são de que o volume de óleo derramado já ultrapassa os de grandes acidentes como o da Exxon Valdez, em 1989, no Alasca e o de Santa Bárbara, Calif, em 1969. Por via das dúvidas, o presidente Obama vez sendo orientado a suspender novos projetos de exploração de petróleo até que maiores investigações sobre o caso garantam maior segurança.

    “Ainda hoje, apesar da alta tecnologia para a exploração de gás e óleo já desenvolvida no mundo, são poucas as medidas eficientes para evitar o impacto ambiental de vazamentos de petróleo no mar. A região que foi afetada pelo Exxon Valdez, por exemplo, ainda não se recuperou totalmente dos impactos, mesmo depois de 21 anos do ocorrido”, diz Leandra. “Está mais do que na hora dos governos e sociedade repensarem o modelo de desenvolvimento que queremos para o futuro. Para evitar esse tipo de impacto só existe uma maneira: diminuir a exploração de petróleo e migrar para uma matriz energética mais limpa e renovável”, conclui.

     

    Amazônia – Vamos Visitar?

    Sunday, May 2nd, 2010

     

    Tem coisas que nunca vou entender. Uma delas é o total desinteresse dos viajantes brasileiros, pela região amazônica, um paraíso natural que atrai batalhões de turistas e viajantes de todo o mundo.

    Quando algum representante dos desmatadores no Congresso apresenta uma lei para cortar mais árvores, mil petições correm pelas veias virtuais da Internet pedindo sua arquivação, mas quantos destes assinantes querem conhecer nosso mais incrível patrimônio natural? Poucos!

    É verdade que os preços absurdos praticados pelas empresas aéreas que servem a região norte não estimula ninguém a viajar para lá. É verdade também que um charter para Nova Iorque muitas vezes é mais barato do que um para Manaus, o que nem a ciência econômica explica. Mas, mesmo se levando em conta as dimensões continentais de nosso país e as dificuldades de se locomover em tão amplo território, não vejo o dia em que os brasileiros se interessarão por algo mais do que as emoções baratas da urbanidade.

    A falta de interesse dos brasileiros pela Amazônia chama a atenção dos estudiosos do turismo principalmente porque, longe de ser uma viagem tediosa, a região oferece emoção, cultura, paisagem e descobertas que aumentarão nossa conceito de cidadania.Mais espanto ainda sentimos quando lemos os relatos de tantos jovens brasileiros que se aventuram pela África, no entorno dos Pólos, em frágeis embarcações através de oceanos perigosos, escalam o Atacama e conhecem Bali na palma da mão, tudo atividades muito interessantes e válidas, mas porque tantos viajantes e aventureiros tem na Amazônia um vácuo inexplicável em seus currículos?

    Longe de ser uma Disneylandia, Amazonas, Pará, Amapá, Roraima, Acre e partes do Mato Grosso e do Maranhão são plenos de história, novas informações, aventuras de arrepiar os cabelos e tranqüilos passeios, calor e frio, florestas sem horizontes e rios onde a vista se perde junto com a memória da urbe poluída.

    Manaus, Santarém e Belém podem ser pontos de partida para vivências que nos ajudarão a conhecer melhor as idiossincrasias de um país complexo como o nosso, e quem sabe tornar-nos capazes de administrar com mais competência este magnífico patrimônio da humanidade que é a Amazônia. Sim, digo patrimônio da humanidade porque à vista dos estudiosos parece que o mundo todo se preocupa mais com a saúde da Amazônia do que os próprios brasileiros.

    Talvez por esta razão torne-se ainda mais importante conhecer a região que muito se fala ser “desejada pelos estrangeiros”, mas que nada fazemos quando está sendo devastada todos os dias pelos seus próprios moradores, tão brasileiros como nós, sob a desculpa de “desenvolver” a região, que na verdade fica sempre mais pobre.

    Como seria bom para a região se todas as pessoas que bem-intencionadamente assinam e circulam indignados manifestos contra a destruição da Amazônia fizessem suas malas e partissem para a aventura de suas vidas naquela região. Que caminhassem sob a copa das imensas árvores no entorno de Oriximiná, dormissem lambidos pelo céu estrelado de Altér do Chão, navegassem por rios de água cristalina na floresta fechada, a apenas 30 minutos de Manaus. Ou à meia noite, à bordo de um charmoso barco regional ancorado num toco em qualquer igarapé, escutassem o suave respiro de um peixe-boi no labirinto do Arquipélgo das Anavilhanas, o maior grupo de ilhas fluviais do mundo, em pleno Rio Negro, perto de Novo Airão, onde os mosquitos são inexistentes.

    Viajantes, se toquem! Conheçam os campos de Roraima e seus cavalos selvagens, as corredeiras de São Gabriel da Cachoeira, a esperança nos olhos dos habitantes das margens das rodovias enlameadas que sobraram do delírio das transamazônicas militares, onde grande parte da nossa dívida externa foi enterrada no estilo de Fitzcarraldo.

    Hoje no primeiro mundo não existe nada de mais “moderno” do que conhecer os poucos lugares do mundo onde a natureza ainda está preservada, e os milhões de turistas estrangeiros que visitam regularmente a Amazônia, sabem disso. Mas quando será que os brasileiros que viajam pelo mundo afora, e furiosos assinam manifestos contra a suposta cobiça dos estrangeiros pela Amazônia, vão deixar de se deslumbrar com as contas coloridas e espelhinhos de Miami e Paris e descobrir o verdadeiro tesouro que tem, natural mas não menos mágico, no próprio quintal de casa?