Archive for February, 2010

Noite de estréia. Jazzmasters

Saturday, February 27th, 2010

 

Certas coisas na vida merecem mesmo aquele famoso slogan “não tem preço”.

Há cerca de sete anos, uma daquelas Luzes me atingiu em cheio ao ter a idéia de criar um programa cheio de groove, com boa black music e suas vertentes. Para aquela viagem que prometia muito, convidei Sérgio Scarpelli, amigo de longa data e com um gosto musical invejável. A fórmula seria baseada em tudo o que aprendi desde criança. Um bom programa de Rádio teria que ter conteúdo, ser informativo na medida certa, sem ser chato, ou passar aquela impressão de senhores da verdade. Para tal, pesquisa e mais pesquisa. E claro, contar muito com o que aprendemos (eu e Sérgio) na música dos anos 70 / 80 / 90 que tanto curtimos. De Stevie Wonder, James Brown, Marvin Gaye e EWF ao incrível Incognito e o grande Brand New Heavies ao lado de Jamiroquai. A música podia ter mudado com o tempo, mas a base era a mesma.

Em abril de 2004, o Jazzmasters entrava no ar pela fantástica Eldorado FM de SP capitaneada ( até hoje ) por Rogério Chiocchetti. Na produção, lembro-me bem, Marco Crozera impecável. Lá de nosso pequeno estúdio em Jaú, sim, uma cidade do interior de São Paulo, o geniozinho conseguia editar nossas vozes, inserir as vinhetas e trilhas e colocar as músicas em mixagens perfeitas e enviava às emssoras. Gravávamos nossas vozes no estúdio do Michel Freidenson no Brooklin, zona sul de São Paulo. Um maestro, criador de jingles inesquecíveis da propaganda brasileira, além de ser considerado o melhor pianista de jazz do Brasil (palavras de César Camargo Mariano). Desde o começo estivemos bem amparados. No ano de 2009, um prêmio APCA de Melhor Programa do Rádio, dois CDs e12 emissoras de Rádio na Rede Jazzmasters depois, meu parceiro Sérgio seguiu outros caminhos e então chegava a hora de um salto maior.

Fui buscar entre nossos fiéis ouvintes, aquele que poderia ter credenciais musicais, o bom gosto e conhecesse a essência do nosso trabalho. Márcio Tabach atendeu meu telefonema e não dei chance a ele.
Ouvi um sim corajoso e então, Márcio tem se transformado numa das mais incríveis surpresas dos meus anos de Rádio. Um parceiro atento às dicas que passo e que faz questão de dividir comigo e com vocês amigos, seu precioso tempo de homem de marketing e DJ. Sim, além de competente como professor e consultor para grandes
empresas, o homem também é DJ e dos bons na linha house. O tempo que passou em Londres, deu a ele todas as condições para falar diariamente com produtores e músicos de lá. E isso tem refletido no aumento da audiência, nos emails e repercussão.

Hoje além de mudanças que estrearão em novo site, sinto-me recompensado não apenas pelos prêmios que tive no meio Rádio e de publicidade, no reconhecimento da audiência e dos parceiros que nos retransmitem em suas emissoras. Mas algo especial entra para minha galeria e conto aqui. Julinho Mazzei, com seu olhar atento e ouvidos antenados, mesmo morando nos EUA, colocou suas parabólicas digitais direcionadas ao Jazzmasters. E então, tive uma das maiores alegrias dos últimos anos. O convite para integrar um time comandado por ele. O
novo time de sua Radio Blog. Como negar ?

Confesso que nunca pensei em colocar o programa em uma emissora online. Produzida democratimente para os internautas. Porém, minhas pesquisas e palestras para os broadcasters tem apontado a tendência na evolução constante da audiência na internet e aí reside o futuro do rádio. Novas tecnologias proporcionarão a experiência cada vez maior do ouvinte com esse meio. A resistência também sempre aconteceu porque temos nosso site e um acordo fantástico com a nave-mãe Eldorado e com as emissoras off-line. Fui convencido rapidamente por uma pequena história.

Comecei aos treze anos numa pequena cidade do interior de São Paulo até chegar a Capital. Ouvia de longe mestres do Rádio em novas emissoras com som mais puro do que o AM. Era o FM chegando. Lá no início alguns ícones e entre eles, um gênio anunciava as boas novas do primeiro mundo. Julinho Mazzei. Tornei-me grande fã, como todo profissional do meio e claro, ouvintes. Tive o prazer de compartilhar idéias e um programa com ele, mesmo à distância em meados dos anos 90, o LM Music, pela Rede Transamérica. Mas isso é um capítulo à parte e muita história a ser contada.

O Jazzmasters que tem seu “start” pela Radio Blog neste 28 de fevereiro de 2010, é um marco pessoal. Um homem que fez a história do FM neste país chamado Brasil, nos convida para seu time. Meus amigos, é algo
como ser escalado para a Seleção na estréia de Copa do Mundo. E neste time, amigos e colegas do Rádio estão se juntando em prol da boa música. O técnico aqui, também é centroavante, seu nome é Mazzei, Julinho Mazzei meu caro. Seríamos eu e o Márcio, os loucos a negar esta convocação?

Boas músicas e boas vibrações para todos.

Paulo Mai

 

Abbey Road

Tuesday, February 23rd, 2010

 

O estúdio de gravação Abbey Road, celebrizado pelos Beatles, foi classificado pelo governo britânico hoje como sítio histórico, visando proteger o santuário da música pop contra quaisquer planos de modificações radicais no imóvel.

A notícia divulgada na semana passada de que a gravadora EMI, proprietária do estúdio, estaria se preparando para vendê-lo, atraiu interesse mundial e suscitou receios de que o local pudesse ser convertido em imóvel residencial.

Seguindo o parecer do organismo de preservação nacional English Heritage, a ministra britânica da Cultura, Margaret Hodge, situou o estúdio na segunda mais alta categoria de locais a serem preservados, classificando-o como edifício tombado grau 2.

Em comunicado à imprensa, a ministra disse que a classificação foi dada “com base no mérito histórico do estúdio” e devido a sua “enorme importância cultural”.

O novo status significa que, embora possam ser feitas modificações no interior do imóvel, quaisquer reformas propostas terão que respeitar o caráter e a preservação dele.

O estúdio Abbey Road virou sinônimo dos Beatles, que ali gravaram quase todos seus álbuns e singles entre 1962 e 1970. O Pink Floyd também gravou no estúdio seus álbuns do final dos anos 1960 e meados dos anos 1970.

Turistas ainda posam frequentemente para fotos no cruzamento vizinho para pedestres na rua Abbey, que é vista na capa do álbum “Abbey Road”, dos Beatles.

Entre os que pediram que o imóvel fosse tombado estão o ex-Beatle Paul McCartney e o empresário musical Andrew Lloyd Webber, que assinalou que seria um potencial comprador.

A EMI disse no domingo que quer continuar a ser proprietária do estúdio, situado no bairro de St. John’s Wood, na zona norte de Londres, mas que está discutindo com outras partes a possibilidade de renová-lo.

A gravadora, que pertence ao grupo de participações acionárias Terra Firma, declarou anteriormente que saudava as notícias sobre o tombamento previsto, apesar de as restrições envolvidas no tombamento potencialmente reduzirem o valor de venda do imóvel.

“O fato de tanto interesse ter sido suscitado pela impressão de que o futuro do Abbey Road estaria ameaçado é testemunho tanto da importância da música na vida das pessoas quanto das paixões que esse tipo de questão suscita”, disse Hodge.

 

MSN

Wednesday, February 17th, 2010

 

Sempre odiei o que a maioria das pessoas fazem com os seus MSN’s.

Não estou falando desta vez dos emoticons insuportáveis que transformaram a leitura em um jogo de decodificação, mas as declarações de amor, saudades, empolgação traduzidas através do nick.

O espaço ‘nome’ foi criado pela Microsoft para que você digite O NOME que lhe foi dado no batismo. Assim seus amigos aparecem de forma ordenada e você não tem que ficar clicando em cima dos mesmos pra descobrir que ‘Vendo Abadá do Chiclete e Ivete’ é na verdade Tiago Carvalho, ou ‘Ainda te amo Pedro Henrique’ é o MSN de Marcela Cordeiro. Mas a melhor parte da brincadeira é que normalmente o nick diz muito sobre o estado de espírito e perfil da pessoa. Portanto, toda vez que você encontrar um nick desses por aí, pare para analisar que você já saberá tudo sobre a pessoa…

‘A-M-I-G-A-S o fim de semana foi perfeito!!!’ acabou de entrar. Essa com certeza, assim como as amigas piriguetes (perigosas), terminou o namoro e está encalhadona. Uma semana antes estava com o nick ‘O fim de semana promete’. Quer mostrar pro ex e pros peguetes (perigosos) que tem vida própria, mas a única coisa que fez no fim de semana foi encher o rabo de Balalaika, Baikal e Velho Barreiro e beijar umas bocas repetidas. O pior é que você conhece o casal e está no meio desse ‘tiroteio’, já que o ex dela é também conhecido seu, entra com o nick ‘Hoje tem mais balada!’, tentando impressionar seus amigos e amigas as novas presas de sua mira, de que sua vida está mais do que movimentada, além de tentar fazer raiva na ex.

‘Polly em NY’ acabou de entrar. Essa com certeza quer que todos saibam que ela está em uma viagem bacana. Tanto que em breve colocará uma foto da 5ª Avenida no Orkut com a legenda ‘Eu em Nova York’. Por que ninguém bota no Orkut foto de uma viagem feita a Praia-Grande – SP?

‘Quando Deus te desenhou ele tava namorando’ acabou de entrar. Essa pessoa provavelmente não tem nenhuma criatividade, gosto musical e interesse por cultura. Só ouve o que está na moda e mais tocada nas paradas de sucesso. Normalmente coloca trechos como ‘Diga que valeuuu’ ou ‘O Asa Arreia’ na época do carnaval.

‘Por que a vida faz isso comigo?’ acabou de entrar. Quando essa pessoa entrar bloqueie imediatamente. Está depressiva porque tomou um pé na bunda e irá te chamar pra ficar falando sobre o ex.

‘ Maria Paula ocupada prá c** ‘ acabou de entrar. Se está ocupada prá c**, por que entrou cara-pálida? Sempre que vir uma pessoa dessas entrar, puxe papo só pra resenhar; ela não vai resistir à janelinha azul piscando na telinha e vai mandar o trabalho pro espaço. Com certeza.
‘Paulão, quero você acima de tudo’ acabou de entrar. Se ama compre um apartamento e vá morar com ele. Uma dica: Mulher adora disputar com as amigas. Quanto mais você mostrar que o tal do Paulão é tudo de bom, maiores são as chances de você ter o olho furado pelas sua amigas piriguetes (perigosas).

‘Marizinha no banho’ acabou de entrar. Essa não consegue mais desgrudar do MSN. Até quando vai beber água troca seu nick para ‘Marizinha bebendo água’. Ganhou do pai um laptop pra usar enquanto estiver no banheiro, mas nunca tem coragem de colocar o nick ‘Marizinha matriculando o moleque na natação’.

‘ < . ººº< . ººº< / @ || e $ $ ! || |-| @ >ªªª . >ªªª >’ acabou de entrar. Essa aí acha que seu nome é o Código da Vinci pronto a ser decodificado. Cuidado ao conversar: ela pode dizer ‘q vc eh mtu déixxx, q gosta di vc mtuXXX, ti mandá um bjuXX’.

‘Galinha que persegue pato morre afogada’ acabou de entrar. Essa ai tomou um zig e está doida pra dar uma
coça na piriguete que tá dando em cima do seu ex. Quando está de bem com a vida, costuma usar outros nicks-provérbios de Dalai Lama, Lair de Souza e cia.

‘VENDO ingressos para a Chopada, Camarote Vivo Festival de Verão, ABADÁ DO EVA, Bonfim Light, bate-volta da vaquejada de Serrinha e LP’ acabou de entrar. Essa pessoa está desesperada pra ganhar um dinheiro extra e acha que a janelinha de 200 x 115 pixels que sobe no meu computador é espaço publicitário.

‘Me pegue pelos cabelos, sinta meu cheiro, me jogue pelo ar, me leve pro seu banheiro…’ acabou de entrar. Sempre usa um provérbio, trecho de música ou nick sedutores. Adora usar trechos de funk ou pagode com duplo sentido. Está há 6 meses sem dar um tapa na macaca e está doida prá arrumar alguém pra fazer o servicinho.

‘Danny Bananinha’ acabou de entrar. Quer de qualquer jeito emplacar um apelido para si própria, mas todos insistem em lhe chamar de Melecão, sua alcunha de escola. Adora se comparar a celebridades gostosas, botar fotos tiradas por si mesma no espelho com os peitos saindo da blusa rosa. Quer ser famosa. Mas não chegará nem a figurante do Linha Direta.

Bom é isso, se quiserem escrever alguma mensagem, declaração ou qualquer coisa do tipo, tem o campo certo em opções ‘digitem uma mensagem pessoal para que seus contatos a vejam’ ou melhor, fica bem embaixo do campo do nome! Vamos facilitar!

 

Arnaldo Jabor

 

Jay-Z critica “We Are The World”"

Monday, February 15th, 2010

 

O rapper Jay-Z não gostou de ouvir a nova gravação da música We Are The World, feita para arrecadar fundos às vítimas dos terremotos que devastaram o Haiti.

Originalmente criada por Michael Jackson em 1985 e gravada por diversos artistas da época, para arrecadar fundos contra a fome na África, a música foi regravada no inicio do mês e lançanda na abertura dos jogos de inverno de Vancouver, na última sexta-feira (12). O valor recebido pelos downloads será revertido para a população haitiana.

“Sei que muitas pessoas vão entender isso de maneira de errada: eu amo We are the world, entendo a razão da regravação e acho ótimo. Mas esta música é como Thriller para mim, é intocável”, disse em entrevista à MTV Americana.

“Tenho muito respeito por Quincy Jones (produtor de ambas as gravações), mas acho que é hora de fazermos uma nova música. Tentei isso com Stranded. Não para ser uma nova We are the world, mas uma música que também mostrasse como me sentia”, disse, sobre a canção que apresentou no especial de TV Hope for Haiti Now, ao lado da cantora Rihanna e dos músicos Bono The Edge, do U2.

 

“We Are The World”

Monday, February 15th, 2010

 

Mais de 80 artistas se uniram no inicio de fevereiro para a regravação de We Are The World. A nova versão foi lançada nessa sexta-feira (12) na abertura dos jogos de inverno de Vancouver, e está disponível no site wearetheworldfoundation.org

A música havia sido composta por Michael Jackson e Leonel Richie, 25 anos atrás, para arrecadar fundos contra a fome na África. Desta vez, o objetivo é arrecadar fundos para as vitimas do desastre no Haiti.

Além da irmã de Michael, Janet Jackson, a música recebeu as vozes de nomes como Miley Cyrus, Pink, Mary J. Blige, Akon, Kanye West, Fergie, Celine Dion e The Jonas Brothers, somando mais de 80 artistas. Na primeira versão, de 1985, foram 44.

O estúdio e o produtor da música também são os mesmos. A nova versão foi feita por Quincy Jones, no Henson Recording Studios (na época, com o nome A&M Recording Studios). Lionel Richie, parceiro de Michael Jackson na composição da música, também foi um dos produtores.

Para realizar doações, é possível fazer a compra da música e do clipe pelo iTunes, por US$2,99 ou depositando valores via cartão de crédito.

 

Sade Adu – “Soldier of Love”

Wednesday, February 10th, 2010

 

 

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Quando um homem da estação de rádio perguntou a Sade o que ela havia feito nos 10 anos de intervalo entre álbuns, ela lhe disse: “Estive numa caverna e só agora consegui sair.”

Ela ria enquanto contava a mudança, com os pés aconchegados no sofá de sua casa georgiana em Islington, no norte de Londres.

Uma chuva de janeiro castigava as árvores por trás da janela da sala de estar, no segundo andar, ao final de uma escada graciosamente sinuosa. Sade, uma figura esguia de calças pretas e um suéter preto com gola em V, tornava tudo aconchegante, alimentando a lareira com gravetos que estalavam com o fogo. Uma entrevista sobre seu novo disco, Soldier of Love (Epic) -apenas seu sexto álbum de estúdio desde sua estreia em 1984, lançado na terça-feira (9)-, se alongou para uma conversa de quatro horas.

“Não tinha absolutamente nenhuma percepção real, propriamente, do tempo”, disse Sade, 51, que nasceu Helen Folasade Adu, em Ibadan, Nigéria. O pai era um professor universitário nigeriano de economia; a mãe era uma enfermeira inglesa e a criou na Inglaterra rural após o divórcio do casal. A voz de Sade durante a conversa era ainda mais baixa do que a rouquidão de suas canções, baladas de suavidade elegante que venderam mais de 50 milhões de álbuns no mundo inteiro.

Os sucessos de Sade, como Smooth Operator, No Ordinary Love e The Sweetest Taboo, eram onipresentes nas décadas de 1980 e 1990 e saíam dos rádios para criar a atmosfera de incontáveis lounges, restaurantes e butiques. Sade surgiu na era do vídeo musical (seu primeiro álbum, Diamond Life, surgiu um ano depois do álbum de estreia da Madonna), quando estrelas do pop acreditavam que, para sustentar suas carreiras, precisavam se expor o máximo possível na mídia. Ao invés disso, Sade se retraía, deixando que as músicas a definissem. Foi uma decisão que pode, ao fim, tê-la tornado mais querida. Seus fãs não a esqueceram: pré-encomendas tornaram Soldier of Love o número 2 no ranking de vendas da Amazon na semana passada.

Para a indústria musical, Sade talvez tenha mesmo estado em uma caverna depois de 2002, quando ela e sua banda terminaram a turnê do álbum de 2000, Lovers Rock. Ela desapareceu dos palcos, capas de revistas, colunas de fofocas e outras zonas de promoção de celebridades, embora tenha contribuído com uma música no DVD beneficente Voices for Darfur.

“A maioria dos artistas são maiores em sua personalidade pública do que em sua personalidade privada, e eu diria que com Sade é quase o oposto”, disse Sophie Muller, amiga que a conheceu no Central Saint Martins College of Art and Design e mais tarde se tornou sua diretora de vídeo e, em Soldier of Love, fotógrafa do encarte. “Ela por inteiro não está disponível para consumo público.”

Muller continua: “De alguma forma, a ideia de se tornar uma cantora e criar música se confundiu com ser uma personalidade internacional. Ela bravamente decidiu que não precisa fazer a outra coisa. Não é que ela tenha pensado numa decisão, ‘Vamos ser mais misteriosos’. É só o jeito dela.”

Sade havia marcado uma reunião com seu agente para depois de nossa conversa, sabendo que ele tentaria orientá-la para esforços mais promocionais. Talvez ela estivesse procrastinando.

“Adoro compor”, disse. “Mas então, indo além, acho um pouco difícil a coisa de me abrir para tudo que vem junto com a indústria musical em geral, as expectativas e pressões que colocam sobre você. Algumas pessoas adoram todos os acréscimos e tudo mais que vem junto. Mas acontece que não sou uma dessas pessoas.”

Mesmo enquanto trabalhava em Soldier of Love, disse ela, “eu avançava com certo medo. Não estava ávida por retornar e ser novamente reconhecida.”

Embora dizendo que sua vida foi “uma viagem numa montanha-russa irregular” nos últimos anos, ela está “bem feliz agora, na verdade”. O álbum é, em parte, “uma purificação de todas as coisas que aconteceram”, disse. “Existe muita história minha no álbum, de uma maneira ou de outra. Não é tudo sobre mim, mas tem pedacinhos de mim lá.”

Conversando, Sade tem uma risada fácil e um senso de humor casual. Mas ela é cuidadosa para não ser “franca demais” com a imprensa, guardando a privacidade de pessoas próximas a ela, passadas ou presentes.

Para Sade, reticência é uma questão tanto de temperamento quanto de estratégia de composição. “Esse é o truque de certa forma, como uma feitiçaria”, disse. “Você precisa deixar que muita coisa entre ali. Mas aquilo não é só seu, porque senão é informação demais, e, ao ouvir a música, você estará pensando na pessoa ao invés de suas próprias emoções.”

“Se for muito ligado ao artista”, acrescentou, “te afasta, é um pouco repulsivo. Porque é dele, não teu.”

O novo álbum não muda radicalmente o som de Sade, que também é o nome da banda que lidera desde 1983, com Stuart Matthewman na guitarra e saxofone, Andrew Hale nos teclados e Paul Denham no baixo. Soldier of Love é outra coletânea de músicas lentas e meditativas, a maioria em tons menores, frequentemente ponderando sobre amores perdidos e jornadas incertas. A banda se orgulha por ser habilidosa mas não ostentatória, e mesmo os esquemas mais elaborados do álbum passam por modestos.

A primeira música, Soldier of Love, é o mais próximo que Sade chega do atual R&B, com percussão marcial, pulsar subterrâneo do baixo, mudanças súbitas de samples e cordas melancólicas. O restante do álbum é mais gentil, resumindo e sutilmente atualizando a fusão contida que Sade faz de R&B, reggae, jazz e pop.

Mas, de sua própria e tranquila maneira, muitas das canções de Soldier of Love trazem uma nova desolação. A música de Sade começou como uma versão britânica do soul americano de Donny Hathaway e Curtis Mayfield nos anos 1970, normalmente projetando uma reserva serena que tranquilizava e atraía ouvintes. Agora, parte daquela reserva desapareceu. No novo álbum, a voz de Sade mostra mais dor e vulnerabilidade, se aproximando mais do que nunca do blues.

Canção após canção declaram-se dor, solidão e desejo por refúgio.

“O chão está cheio de pedras quebradas/A última folha caiu/Não tenho para onde ir”, Sade canta em Bring Me Home, uma triste melodia sobre uma batida de hip hop. Na música que encerra o álbum, The Safest Place, ela oferece sua própria afeição como um santuário: “Meu coração já foi um guerreiro solitário antes/Então você pode ter certeza.”

Nos últimos cinco anos, Sade tem o que chama de “parceiro”, Ian Watts. Eles vivem juntos em Gloucestershire, no oeste rural da Inglaterra, onde cuidam de Ila, filha de 13 anos de Sade, e Jack, filho de 18 anos de Watts. Sade está pensando em casamento. “Tenho muito arrependimento com tempo perdido e todos os erros do passado”, disse Sade, que se divorciou do cineasta espanhol Carlos Pliego em 1995. “Mas existe algo adorável em saber que, quando a coisa está certa, você realmente sabe que é certo porque já passou por todo o errado.”

Sade passa a maior parte do tempo no oeste inglês, apenas ocasionalmente dirigindo seu Volvo até Londres. Em sua casa de Islington, havia lençóis sobre alguns móveis e velhas fitas cassete ao lado de livros de arte e fotografia nas prateleiras. Para Sade, a última década foi ocupada principalmente por assuntos domésticos: jardinagem, maternidade, construção da casa (agora quase pronta) em Gloucestershire, cuidados a um doente terminal que ela se recusa a identificar. “Se você tem um amigo doente, ou alguém que você ama está morrendo, dizer ‘Até mais tarde, vou para o estúdio’ é algo que não dá para fazer”, disse. “Não era importante o suficiente para mim naquele momento.”

A filha acompanhou Sade na turnê de 2002, mas a cantora a botava para dormir antes de subir ao palco. “Ela nunca me viu cantar”, disse Sade. “Ela, aquela coisinha minúscula, ali de pé, com a mamãe no palco na frente de toda aquela gente? Achei que seria estranho demais para ela.” Há alguns anos, Ila lhe perguntou, “Mamãe, você é famosa?”, lembra-se Sade. “Agora, ela tem plena certeza e consciência de qual é a situação” (Ila Adu e o filho de Matthewman, Clay, integram o vocal de apoio da música Babyfather).

Sade hesitou em voltar a compor. “Aquele sentimento de revelação, de exposição emocional”, disse, “aquilo era algo que me segurava, subconscientemente, de voltar a fazê-lo. Mas aquilo não era tudo o que sou, e não era só sobre mim, e a única maneira que consigo esquecer é compondo.”

Ela começou com cautela. Os integrantes da banda haviam se dispersado nos anos 1980 e 1990 – Matthewman em Nova York, Denman em Los Angeles, Hale em Londres -, e Sade achava que fazê-los viajar para trabalhar seria um compromisso grande demais de início. Por volta de 2005, Sade começou a trabalhar com Juan Janes, violonista argentino que vive em Londres, no estúdio no porão de sua casa em Islington.

Os dois compuseram Mum, sobre as atrocidades em Darfur, para o álbum beneficente e versões iniciais de Babyfather e Long Hard Road para o novo álbum. Com a mudança para Gloucerstershire, a colaboração extinguiu-se, mas, ao final, a banda, os amigos e a família empurraram-na em direção à música novamente. Contribuiu a possibilidade de Watts poder cuidar de sua filha enquanto ela se escondia no estúdio de gravação.

“Não senti a pressão dos anos passando, na verdade”, disse Sade. “Só o desejo da banda de gravar um disco”. Os membros da banda insinuavam e esperavam. “Sempre irei largar tudo para trabalhar com ela”, disse Matthewman de seu estúdio de gravação em Nova York. A banda se reencontrou em 2008, a primeira vez juntos desde a turnê.

Desde seu segundo álbum, a Sade criou músicas de uma maneira que é hoje um luxo do passado para a maioria das bandas: compondo em grupo dentro de um estúdio totalmente equipado, espontaneamente, ao invés de levar canções finalizadas para aperfeiçoar. Durante uma ou duas semanas numa época, e depois por períodos mais longos, os membros da banda viveram no residencial Real World Studios, de Peter Gabriel, em Wiltshire. Matthewman se lembra de Sade instruindo: “Não diga à gravadora”.

“Preciso escapar das realidades mundanas da vida cotidiana para ir e cavar dentro de mim”, disse ela, acrescentando que no Real World “não dá para simplesmente dizer ‘não posso trabalhar, tenho que fazer o jantar¿. Você não tem outra opção senão encarar os demônios.”

Quando Sade fala sobre compor músicas, ela se torna mística. É “alquimia”, uma “experiência extracorpórea”, uma tentativa de preservar as percepções daquele “momento etéreo” entre a vigília e os sonhos. E com a banda trabalhando em conjunto num lugar em que pode gravar a qualquer momento, “somos capazes de capturar isso em estúdio, capturar tecnicamente no instante certo para soar certo”, disse Sade. “É quase uma igreja, porque quando você entra naquele recinto, você sabe qual seu propósito, você sabe o que vai fazer ali e não precisa carregar nada que não queira lá pra dentro.”

A banda não teve pressa. “Se você faz só um álbum a cada 10 anos, é melhor que ele seja bom”, disse. Em certo momento, executivos da Sony Music souberam que Sade estava novamente trabalhando e quiseram que o álbum fosse lançado antes do Natal de 2009. Esse prazo passou. Sade disse que está mais feliz por ressurgir em um novo ano e uma nova década. A banda finalizou a última versão de Skin -canção sobre um rompimento relutante, com violões acústicos e os vocais harmônicos de Sade em primeiro plano e sons estranhos eletrônicos e percussivos à distância- por volta das 5h da manhã do dia em que outra banda havia reservado o Real World.

Um álbum precisa de uma fotografia de capa, e Sade relutou de início em aparecer nela. “Todos ao meu redor disseram que eu estava louca”, lembra-se. O acordo foi uma foto com ela de costas, apreciando ruínas maias. “Você não está olhando para mim”, disse ela esperançosa. “Você está avaliando a jornada à frente e a história.”

Em um quarto de século de gravações, Sade escutou diversas vezes sobre como a mistura de lamento e consolo de suas músicas levou conforto a seus fãs. “Se for como um farol que guia alguém pelos rochedos, isso é ótimo”, disse ela.

O próximo passo para a Sade envolve algumas apresentações na televisão da música Soldier of Love, incluindo o baterista Peter Lewinson, repetindo o que a banda fez na turnê de 2002. No futuro, a Sade pretende engatar uma turnê.

“Realmente quero subir no palco e cantar as músicas”, disse ela. “Mas, depois, só vou querer desaparecer de novo.”

 

The London Chronicle