Archive for January, 2008

A Consciência de Colaboração

Thursday, January 31st, 2008

 

Conta uma brasileira, que foi trabalhar algum tempo na Suécia, que várias vezes fez comparações entre suecos e brasileiros.

A forma de resolver problemas, a maneira de conduzir determinadas dificuldades no ambiente de trabalho, etc.

Nessas suas observações, concluiu, em um primeiro momento, que os suecos tinham alguns comportamentos muito próprios.

Na verdade, ela jamais imaginara que com eles aprenderia uma extraordinária lição. Algo que a faria admirá-los e seguir-lhes o exemplo.

No seu primeiro dia de trabalho, um colega da empresa a veio apanhar em casa e eles seguiram, juntos, no carro dele.

Ao chegarem, ele entrou no estacionamento, uma área ampla para mais de 200 carros.

Como haviam chegado cedo, poucos veículos estavam estacionados, mas o rapaz deixou o seu carro parado logo na entrada do portão.

Assim, ela e ele tiveram que caminhar um trecho considerável, até chegar à porta da empresa.

No segundo dia, o fato se repetiu. Eles tornaram a chegar cedo e, novamente, o carro foi colocado logo na entrada.

Outra vez tiveram que atravessar todo o extenso pátio do estacionamento, até chegarem no escritório.

No terceiro dia, um tanto mais confiante, ela não se conteve e perguntou ao colega: “por que é que você deixa o carro tão distante, quando há tantas vagas disponíveis?

Por que não escolhe uma vaga mais próxima do acesso ao nosso local de trabalho?”

A resposta foi franca e rápida: “o motivo é muito simples. Nós chegamos cedo e temos tempo para andar, sem perigo de nos atrasarmos. Alguns dos nossos colegas chegam quase em cima da hora e se tiverem que andar um trecho longo, correm o risco de se atrasarem. Assim, é bom que encontrem vagas bem mais próximas, ganhando tempo.”

O gesto pode ser qualificado de companheirismo, coleguismo. Não importa. O que tem verdadeira importância é a consciência de colaboração.

Ela recordou que, algumas vezes, em estacionamentos, no Brasil, vira vagas para deficientes sendo utilizadas por pessoas não deficientes. Só por serem mais próximas, ou mais cômodas.

Recordou dos bancos reservados a idosos, gestantes em nossos ônibus e utilizados por jovens e crianças, sem preocupação alguma.

Lembrou de poltronas de teatros e outros locais de espetáculos tomadas quase de assalto, pelos mais ágeis, em detrimento de pessoas com certas dificuldades de locomoção.

Pensou em tantas coisas. Reflexionou. Ponderou…

E nós? Como agimos em nossas andanças pelas vias do mundo? Somos dos que buscamos sempre os lugares mais privilegiados, sem pensar nos outros?

Alguma vez pensamos em nos acomodar nas cadeiras do centro do salão, quando vamos a uma conferência, pensando que os que chegarem em cima da hora, ocuparão as pontas, com maior facilidade?

Pensamos, alguma vez, em ceder a nossa vez no caixa do supermercado a uma mãe com criança ou alguém que expresse a sua necessidade de sair com maior rapidez?

Pensemos nisso. Mesmo porque, há pouco mais de dois milênios, um Rei que se fez carpinteiro, ensinou sabiamente: “quando fordes convidados a um banquete, não vos assenteis nos primeiros lugares…”

O ensino vale para cada dia e situação das nossas vidas.

 

The O'Jays (Live in London)

Tuesday, January 29th, 2008

 

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O “Philadelphia Sound” foi um dos movimentos mais importantes da música popular americana. Foram tantos os artistas e produtores que nasceram dele, que é quase impossível escrever sobre todos eles. Mesmo assim, quem não se lembra dos maravilhosos sucessos de Harold Melvin & The Blue Notes, Billy Paul, The Three Degrees, Lou Rawls, The Intruders, MFSB, The Saulsoul Orchestra e dos O’Jays?

O “Philly Sound” foi muito popular nos anos 70. De todos os grupos daquela época, o The O’Jays sempre foi o meu favorito. Criadores de arranjos bonitos, letras cheias de emoção e vocais harmoniosos, eles marcaram uma geração. Quem não curtiu a música “Love Train”? Ela foi considerada o Hino da Paz durante os anos 70. Foi sucesso e toca até hoje!! Lembra?

O grupo continua bem ativo com shows pelos Estados Unidos e Europa todos os anos.

A primeira vez que escutei o O’Jays foi com o Beto Rivera e o Paulinho Filgueiras no apartamento do Paulinho em Santos. Aquele lugar era um verdadeiro templo da música com mais de 50 mil discos espalhados pelos quartos. Lá eu conheci muitas coisas. Explorava aqueles discos todos os dias. Escutava tudo. Foi uma escola. Eu tive muita sorte de ter dois ótimos professores ao meu lado (o Paulinho e o Rivera) que mostraram o caminho. Mas isso, é uma história que deixarei para um próximo post.

Então é isso. Inspirado no “Philly Sound” apresento hoje um show muito especial dos O’Jays gravado em 73 no Hammersmith Odeon Theater em Londres. Um show muito legal e que poucos ainda tiveram a oportunidade de ouvir. Os destaques são para “Put Your Hands Together”, “Back Stabbers” e “Love Train”.

Enjoy the show my friends!!

 

The O’Jays – Live in London

 

Bargrooves (Special Edition)

Friday, January 25th, 2008

 

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O “Bargrooves” é uma das minhas coleções favoritas. São 15 discos maravilhosos e cada um traz algo especial, uplifting, sensual e diferente. As mixagens são bem legais e os repertórios são sempre impecáveis. É um trabalho de alto nível e de muito bom gosto.

A coleção é toda mixada pelo DJ/Empresário Ben Sowton que também é o dono da Seamless Records e o pioneiro do movimento Lounge. O “Bargrooves-Black (Special Edition)” tem uma levada super gostosa. É o melhor disco da coleção.

Entre os destaques estão: “Ross Couch – Be With Me”, “Dalminjo – And She Sad”, “Pete Moss – Looking For Love” e “Native New Yorker feat. Jessica Lauren – Another Day”.

Um ótimo fim de semana a todos…enjoy the music!!!

 

 

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The Crusaders

Monday, January 21st, 2008

 

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Nos anos 50 a banda se chamava The Swingsters. Mas logo se transformou nos The Modern Jazz Sextet e depois nos Hollywood Nighthawks. Apesar de todas as mudanças de nome a música do grupo nunca mudou.

Foi na cidade de Houston no Texas que eles cresceram inspirados nos maravilhosos arranjos e músicas de Miles Davis, Thelonious Monk e Charles Mingus.

Em 58, eles mudaram para Los Angeles e, quando os anos 60 finalmente chegaram, o Jazz sofreu uma grande transformação. Ele se tornou mais comercial. A música já não era como antes e o grupo sentiu que necessitava incorporar um pouco mais de Soul e Blues ao repertório, estilos que eles tanto adoravam tocar.

Durante os anos 60, as músicas de Marvin Gaye e Aretha Franklin invadiam os corações americanos. Foi nesta mesma época, que inspirados pelo som do Soul, que os Crusaders criaram o som e o estilo que hoje conhecemos. É uma mistura muito especial de Jazz, Soul, Rhythm & Blues com uma pitada do groove sulista americano.

Existe sempre uma improvisação muito original presente em todas as suas músicas. Com a genialidade de seus músicos Joe Sample (Piano e Arranjos), Six Hooper (Bateria), Larry Carlton (Guitarras) e Wilton Fedler (Saxofones e Baixo), os Crusaders foi uma das poucas bandas que conseguiu transformar o Jazz/Soul numa coisa mágica, diferente e mais popular.

Ontem, enquanto pesquisava a minha coleção de discos, encontrei esta maravilhosa compilação. O disco é uma delicia. Para vocês que sempre curtiram 0 sucesso “Street Life” mas que ainda não conhecem o “outro lado” da banda, aqui está um preview do “Groove Crusade”. O disco mostra toda a extraordinária trajetória do grupo desde as suas origens texanas até os dias de hoje…enjoy it my friends!!!

Uma ótima semana a todos.

 

The Crusaders – Chain Reaction

The Crusaders – Creole

The Crusaders – Don’t let It Get You Down

The Crusaders – Greasy Spoons

The Crusaders – I Feel The Love

The Crusaders – So Far Away

The Crusaders – Street Life (Full Version)

 

KiosksfromRio (Carlos Marchand)

Friday, January 18th, 2008

 

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Fico muito feliz de informar que a estréia do “KiosksfromRio” do Carlos Marchand no Piola em New York foi um grande sucesso. Muita gente importante e bonita esteve presente para ver de perto as lindas fotografias das antigas e tradicionais barracas de lanches do Rio de Janeiro.

O “KiosksfromRio” é uma exibição fotográfica que mostra uma parte muito gostosa e bem original da nossa cultura, criatividade e tradição e, que sem dúvida, traz agora o calor brasileiro ao inverno de New York.

As fotos foram tiradas há muitos anos atrás quando ainda as barraquinhas de lanches do Rio eram muito originais, coloridas e cheias de vida.

Todas as fotos foram tiradas aproveitando a luz das manhãs quando ainda estavam fechadas para poderem mostrar todos seus desenhos, cores e artes por completo.

A exposição ficará no Piola em New York, 48E 12th Street – (212) 777-7781 até o dia 3 de Março e depois, seguirá viajem para outras cidades do circuito Piola incluindo Miami.

As fotos poderão ser adquiridas no próprio local. Para maiores informações:

O "KiosksfromRio" é ótima dica pra você que está de passagem marcada para a Big Apple. Conheça o Piola, visite a exibição, compre as fotos e aproveite também para saborear a melhor pizza da cidade.

Parabéns Marchand!!

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O Papa-Léguas

Wednesday, January 16th, 2008

 

O Coiote persegue furiosamente o Papa-Léguas. De repente, a ave para. O Coiote tenta, mas não consegue, ele passa direto pelo Papa-Léguas, escorregando até a ponta de um penhasco. O chão cede e, só por um instante, vemos seus olhos em forma de pires. E então o Coiote se espatifa. Ploft !

Eu adoro os desenhos do Papa-Léguas. Comprei toda a coleção em DVD.

O Coiote e eu temos uma sina comum. Eu também me aventurei bem perto do penhasco. Também me vi num terreno incerto, e levei um tombo.

Eu também já fiz aquele olhar do tipo “olha, isso vai doer, heim !”. Também olhei para cima, do fundo da lama, aturdido e estupefato.

Mas o Coiote possui uma coisa. Eu não. Ele é invencível. Nunca fica machucado. As quedas não o perturbam.

Na cena seguinte ele está empilhando dinamite ou pintando uma parede, deixando-a parecer um túnel. Em segundos, ele sai da lama e volta a caçar.

Você e eu não nos recuperamos com tanta facilidade. Caímos como o Coiote.

Mas, diferente dele, vagueamos pelo precipício por um tempo. Aturdidos, machucados, e imaginando se existe algum jeito de sair do barranco.

Então, qual é a lição ?

O desenho do Papa-Léguas é uma representação de um modelo de planejamento estratégico para a vida. O Coiote está faminto – uma condição que ele está profunda e pessoalmente empenhado em mudar. Conseguir pegar o Papa-Léguas (a comida) é o objetivo estratégico do Coiote.

Em alguns episódios, quando imagina a ave sendo assada em seu espeto ou a fumaça saindo de seu prato, o Coiote compartilha a sua visão, o seu sonho.

Ele também tem uma “missão”, apesar dela mudar freqüentemente.

Em uma de suas missões, por exemplo, o Coiote prende uma bigorna em um balão, utiliza um ventilador para impulsionar o aparato e conta com uma banana de dinamite com pavio comprido para soltar a bigorna exatamente sobre o Papa-Léguas. Porém, na preparação para o lançamento, ele acende o pavio comprido e este, para seu desespero, queima completamente em menos de um segundo, fazendo a dinamite explodir em sua cara. O Coiote fica completamente enegrecido com a explosão, todo carbonizado, e vai saindo de cena de maneira desengonçada. A imagem vai desaparecendo gradualmente e quando ele volta, o Coiote está criando uma estratégia totalmente nova para uma outra missão.

Dessa vez, ele utilizará entre outras coisas, uma catapulta e uma enorme pedra. É quase certo que o Coiote, demasiadamente magro, vai ficar sem comer até morrer. Ele abandonou a idéia da bigorna pendurada no balão por causa de um pavio com defeito e, certamente, abandonará a idéia da catapulta com a enorme pedra devido a um outro defeito do mecanismo.

O Coiote já apresentou dúzias, se não centenas de projetos engenhosos para capturar o Papa-Léguas – e todos poderiam ter dado certo se fosse feito um planejamento um pouco mais cuidadoso. A questão é que o Coiote tem muita pressa para sentar e planejar as coisas.

Como a maioria das pessoas que assiste às suas trapalhadas, ele acredita na ação imediata para obter resultados. Como muitos, lida constantemente com o fracasso e a decepção.

Meu conselho para o Coiote : pegue uma de suas melhores idéias, elabore-a e leve-a a cabo.

No caso da idéia da bigorna, por exemplo, pergunte-se qual seria o tempo ideal para o pavio queimar. Será que você tem de usar dinamite mesmo ?

Que tal utilizar um mecanismo de controle remoto para que você mesmo possa controlar a bigorna ?

Crie uma lista de coisas que devem ser verificadas, como o que poderia explodir na sua cara e o que faria com que você se arrebentasse no chão ou caísse de uma grande altura com aquele efeito sonoro característico.

Como você poderia evitar que isso acontecesse ?

Antecipe e resolva todos os problemas para que você possa, finalmente, saborear a suculenta ave no jantar.

O planejamento eficaz é responsável pela diferença entre almejar o sucesso e alcançá-lo.