Archive for August, 2007

O Velho e Bom Biggs

Thursday, August 30th, 2007

 

Não é de hoje que admiro a esperteza de Ronald Biggs. Tudo que ele fez na vida – honesta ou desonestamente -, o fez maravilhosamente. Afinal, estamos diante de um assaltante de 50 milhões de dólares. E mais: o homem é inglês.

E agora, aos 78 anos, está doente e encarcerado numa cadeira de rodas na Inglaterra.

Em 2000, ele teve a brilhantíssima idéia de que era mais fácil (seguro, tranqüilo e civilizado) passar o resto da sua vida numa prisão inglesa do que solto nas ruas do Rio de Janeiro.

Não é mesmo um gênio? Sua Majestade vai se encarregar da sua saúde e da sua garantia de vida. Fora uns altíssimos trocados que o jornal mais do que sensacionalista The Sun, lhe pagou para ele contar a sua vida.

Fora o filme que isso deu. Fora o Rio de Janeiro com suas mulatas maravilhosas que ele tão bem conheceu e que viraram estrelas internacionais.

Ao sair do Rio abraçado à neta brasileira – com nome europeu, Ingrid – chorou. Acho que ele estava chorando não só por deixar a neta e o filho, mas por deixar este País que foi maravilhoso com ele. Como bandido, aqui ele era tratado como um senador impune e impoluto.

Admiro a saída de cena de Mr. Biggs. Aos 71 anos, sentiu na própria carne que o Brasil não é um país sério para idosos ou para ninguém mais. Preferiu a cerveja inglesa, a chata neblina. A modorrenta BBC. A voltar a torcer pelo Chelsea.

Uma pena meu pai – hoje internado numa clínica de saúde – não ter assaltado um banco na Inglaterra anos atrás. Seus últimos anos de vida poderiam estar sendo muito mais interessantes.

Mesmo que encarcerado numa cidadezinha montanhosa da Inglaterra.

Sim, porque aos velhos brasileiros, só resta o cárcere da própria casa mantida com a ajuda dos filhos, pois a aposentadoria é realmente uma piada.

A medicina faz tudo para conservar nossos pais. E o faz brilhantemente.

Mas a sociedade, não. Uma pessoa com mais de 80 anos no Brasil não tem absolutamente nada para fazer a não ser ficar sentado na varanda, olhando para a rua, esperando o próprio enterro passar.

O Estado, além de uma aposentadoria que envergonha a pessoa que trabalhou durante 50 anos pelo País, não lhe oferece absolutamente nada. O máximo que faz é deixar ele vendo televisão ad eternum. E o velhinho fica ali.

Tudo bem, dirá você, ele não paga ônibus. Mas quem é de 80 anos que consegue entrar – e sentar – num ônibus? E mais: pegar ônibus para ir aonde? Tente levar seu avô ao campo de futebol: ele morre esmagado na entrada. Na praia não tem mais pernas para fugir dos arrastões e dos trombadinhas.

Coloque o velhinho numa fila médica… Perguntem quanto custa um plano de saúde para um cara dessa idade. E se ele quiser fazer um seguro de vida, quem é que segura?

Tente explicar para um velhinho a forma, a fórmula e o regulamento dos nossos campeonatos de futebol. Tente. Como é que ele vai entender que gols fora valem em dobro, e no Brasil? E que não tem mais returno?

Tente explicar para ele que senador não pode ser preso? Principalmente o presidente do Senado. Mais fácil: tente explicar que 100 reais não são 100 contos, nem muito menos 100 cruzados novos. Tente.

Mas tente, você que é filho, neto ou bisneto de um deles. Porque você pode ter certeza que só a família tem algum carinho e respeito por ele. O Estado quer mais é que ele morra.

Sábio foi o Biggs, repito. Preferiu a masmorra inglesa à pachorrenta e inútil vida dos nossos pais e do nosso País.

Me desculpem o desabafo, mas é que eu estou achando que eu já deveria ter assaltado um trem pagador também. Na Inglaterra, é claro.

Quando eu morrer, não me enterrem na Lapinha. Quando eu morrer, me enterrem em Liverpool ou em qualquer outro lugar longe do Brasil.

 

Problemas

Tuesday, August 28th, 2007

 

No dia em que escrevo este texto, há no planeta Terra, aproximadamente, 6.543.245.168 pessoas de acordo com o World Population Clock , incluindo os nascimentos e subtraindo as mortes. Sabe quantas destas pessoas não têm problemas?

Nenhuma.

Muda o idioma, muda a idade, muda o sexo, muda o nível econômico, muda a natureza do problema e mudam todas as outras condições, mas há uma constante que jamais muda : problemas sempre existem. Grandes ou pequenos, simples ou complexos, dolorosos ou sem importância. Eles são diferentes para cada pessoa, mas estão lá. Estão sempre lá. Mesmo que uma pessoa não tenha consciência dos problemas (e algumas pessoas, realmente, não têm), os problemas continuam esparramados em nossas vidas.

Problema é, simplesmente, o nome que nós damos ao fato das circunstâncias ao nosso redor estarem diferentes do que desejamos . Um problema é sempre uma situação a ser mudada ou, pelo menos, uma situação que você deseja que seja diferente. Um problema também pode ser um comportamento , a ser corrigido.

Você precisa saber apenas duas coisas essenciais sobre os problemas: a primeira é que problemas são como espinhos em uma rosa . Se você deseja a rosa, é bom ir se acostumando com os espinhos. Eles fazem parte da rosa .

Se você ama alguém, essa pessoa sempre trará ‘espinhos’, geralmente de ordem comportamental. Embora muitos espinhos comportamentais possam ser aparados, e corrigidos com o tempo, muitos deles nunca desaparecerão. Considere que você continuará com os espinhos por muito tempo, talvez para sempre, e entenda que eles fazem parte do conjunto.

Naturalmente, se você julga os espinhos inaceitáveis, procure outra ‘rosa’. Vícios, geralmente, estão na categoria de espinhos inaceitáveis, embora o próprio conceito de ‘aceitável’ e ‘inaceitável’ também seja diferente, de pessoa para pessoa.

Ainda assim, há espinhos que causam mais dor do que você pode suportar. Nestes casos, não vale a pena manter a rosa.

Isso vale para pessoas e empresas. Não é raro uma multinacional abandonar uma região quando o crime, a guerra ou a insegurança jurídica tomam conta. São espinhos inaceitáveis para uma empresa.

Sabendo disso, compreenda que você é totalmente responsável pelos problemas se aceitar a rosa . Em outras palavras, não adianta dizer que não tem culpa pelos problemas, se você já conhecia os espinhos antes de obter a rosa.

A segunda coisa que você deve entender, sobre os problemas, é que em uma empresa, ou em casa, problemas são como formigas . Estão em toda parte. Sempre começam pequenos, mas ao contrário das formigas, alguns deles tendem a crescer sem parar . Deixam de ser formigas para se transformarem em cachorros… depois continuam a crescer e viram ursos… e um dia você estará seguindo cegamente as ordens dadas pelos problemas que começaram há muitos anos… muito pequenos.

Se você é como a grande maioria da população mundial, você tem milhares de problemas minúsculos, centenas de problemas chatos, embora pequenos, dezenas de problemas grandes que atrapalham muito e, talvez, pelo menos meia dúzia de problemas inaceitáveis, que cresceram com o tempo e agora estão paralisando partes da sua vida.

Só há uma coisa a fazer: resolver os problemas, um-a-um. Não adianta ‘torcer’ para que o problema desapareça. Você deve jogar um foco de luz sobre a área problemática, pegar o touro à unha, resolver aquele problema e sentir-se mais leve e feliz, para atacar o próximo problema da lista. Se o problema grande for de saúde, as variáveis são muito mais amplas e nem sempre dependem apenas de você.

Mas os celtas estavam corretos ao afirmarem que ‘ o melhor jeito de escapar de um problema é resolvendo-o ‘. Depois de algum tempo, você vai se acostumar e gostar de resolver os problemas.

As formigas até estarão lá. Mas os cachorros e ursos tenderão a ficar bem longe. E, quando aparecerem, você estará preparado.

 

O Grande Paganini

Saturday, August 25th, 2007

 

Era uma vez um grande violinista chamado Paganini. Alguns diziam que ele era muito estranho. Outros, que era sobrenatural. As notas mágicas que saíam de seu violino tinham um som diferente, por isso ninguém queria perder a oportunidade de ver seu espetáculo. Numa certa noite, o palco de um auditório repleto de admiradores estava preparado para recebê-lo. A orquestra entrou e foi aplaudida. O maestro foi ovacionado. Mas quando a figura de Paganini surgiu, triunfante, o público delirou. Paganini coloca seu violino no ombro e o que se assiste a seguir é indescritível. Breves e semibreves, fusas e semifusas, colcheias e semicolcheias parecem ter asas e voar com o toque daqueles dedos encantados.

De repente, um som estranho interrompe o devaneio da platéia. Uma das cordas do violino de Paganini arrebenta. O maestro parou. A orquestra parou. O público parou.

Mas Paganini não parou.

Olhando para sua partitura, ele continua a tirar sons deliciosos de um violino com problemas. O maestro e a orquestra, empolgados, voltam a tocar. Mal o público se acalmou quando, de repente, um outro som perturbador derruba a atenção dos assistentes. Uma outra corda do violino de Paganini se rompe. O maestro parou de novo. A orquestra parou de novo

Paganini não parou.

Como se nada tivesse acontecido, ele esqueceu as dificuldades e avançou, tirando sons do impossível. O maestro e a orquestra, impressionados voltam a tocar. Mas o público não poderia imaginar o que iria acontecer a seguir. Todas as pessoas, pasmas, gritaram OOHHH! Que ecoou pela abobadilhada daquele auditório. Uma terceira corda do violino de Paganini se quebra. O maestro pára. A orquestra pára. A respiração do público pára.

Mas Paganini não pára.

Como se fosse um contorcionista musical, ele tira todos os sons da única corda que sobrara daquele violino destruído. Nenhuma nota foi esquecida. O maestro empolgado se anima. A orquestra se motiva. O público parte do silêncio para a euforia, da inércia para o delírio.

Paganini atinge a glória.

Seu nome corre através do tempo. Ele não é apenas um violinista genial. É o símbolo do profissional que continua diante do impossível.

 

BBC Classic Tracks Vol. 3

Tuesday, August 21st, 2007

 

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O Furreca apresenta mais uma edição do BBC Classic Tracks trazendo alguns shows exclusivos gravados na Inglaterra e Alemanha. Vale destacar que os shows nunca foram publicados. É isso aí!!…Coisas que só um Furreca pode apresentar…enjoy the vibes.

 

Bronsky Beat – Ain’t Necessarily So (Live in London)

Communards – Don’t Leave Me This Way (Live in New Castle, England)

Communards – Never Say Goodbye (Live in New Castle, England)

Erasure – Gimme Gimme Gimmne (Live in Hamburg, Germany)

Erasure – Oh L’Amour (Live in Hamburg, Germany)

Erasure – Vivtm of Love (Live in Hamburg, Germany)

 

Peixe Fresco

Saturday, August 18th, 2007

 

Os japoneses adoram peixe fresco. Porém, as águas perto do Japão não produzem muitos peixes há décadas. Assim, para alimentar a sua população, os japoneses aumentaram o tamanho dos navios pesqueiros e começaram a pescar mais longe do que nunca. Quanto mais longe os pescadores iam, mais tempo gastavam para o peixe chegar. Se a viagem de volta levasse mais do que alguns dias, o peixe já não era mais fresco.

E os japoneses não gostaram do gosto daqueles peixes. Para resolver este problema, as empresas de pesca instalaram congeladores em seus barcos. Eles pescavam e congelavam os peixes em alto-mar. Os congeladores permitiram que os pesqueiros fossem mais longe e ficassem em alto mar por muito mais tempo.

Entretanto, os japoneses conseguiram notar a diferença entre peixe fresco e peixe congelado, e, é claro, eles não gostaram do peixe congelado. O peixe congelado, porém, tornou os preços mais baixos. Então as empresas de pesca instalaram tanques de peixe nos navios pesqueiros. Eles podiam pescar e enfiar esses peixes nos tanques, como sardinhas. Depois de certo tempo, pela falta de espaço, os peixes paravam de se debater e não se moviam mais. Eles chegavam cansados e abatidos, embora, vivos.

Os japoneses ainda podiam notar a diferença no sabor. Por não se mexerem por dias, os peixes perdiam o gosto de frescor. Os japoneses preferiam o gosto de peixe fresco e não o gosto de peixe apático.

Então, como os japoneses resolveram este problema?

Como eles conseguiram levar aos consumidores peixes com gosto de puro frescor ?

Se nós estivéssemos trabalhando em consultoria para as empresas de pesca, o que recomendaríamos?

Quando as pessoas atingem seus objetivos, tais como, quando encontram um(a) namorado(a) maravilhoso(a), começam com sucesso numa empresa nova, pagam todas as suas dívidas ou o que quer que seja, elas podem perder as suas paixões.

Elas podem começar a pensar que não precisam mais trabalhar tanto, se dedicarem tanto, então relaxam. Elas passam pelo mesmo problema que os ganhadores de loteria que gastam todo seu dinheiro, o mesmo problema de herdeiros que nunca trabalharam e de donas de casa, entediadas, que ficam dependentes de remédios de tarja preta.

Para essas situações, inclusive no caso dos peixes dos japoneses, existe solução. L. Ron Hubbard observou no começo dos anos 50. “O homem progride, estranhamente, somente perante a um ambiente desafiador”. Quanto mais inteligente, persistente e competitivo somos, mais gostamos de um bom problema. Se nossos desafios estão em um determinado tamanho e conseguimos, passo a passo, conquista-los, ficamos muito felizes. Pensamos em novos desafios e nos sentimos com mais energia.

Ficamos excitados em tentar novas soluções. Nos divertimos. Permanecemos vivos!

Para conservar o gosto de peixe fresco, as empresas de pesca japonesas, ainda colocam os peixes dentro de tanques. Mas, eles também adicionam um pequeno tubarão em cada tanque. O tubarão come alguns peixes, mas a maioria dos peixes chega “muito vivo”.

Os peixes são desafiados!

Portanto, ao invés de evitar desafios, devemos pular dentro deles.

Massacremo-los. Se nossos desafios são muito grandes e numerosos, não devemos desistir e, isto sim, nos reorganizar buscando mais determinação, mais conhecimento e mais ajuda.

Se alcançamos nossos objetivos, buscamos objetivos maiores. Uma vez que nossas necessidades pessoais ou familiares forem atingidas , vamos ao encontro dos objetivos do nosso grupo, da sociedade e até mesmo da humanidade.

Devemos criar o nosso sucesso pessoal e não se acomodar nele. E, com recursos, habilidades e destrezas, fazer a diferença.

Vamos por um tubarão em nossos tanques e observar quão longe, realmente, podemos chegar.

Somos obrigados a acordar conosco, todos os dias de manhã…

E, como vamos fazer isto pelo resto das nossas vidas, é melhor que façamos com prazer.

Muito prazer !!!

 

Quase

Wednesday, August 15th, 2007

 

Ainda pior que a convicção do não e a incerteza do talvez é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos “Bom dia”, quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.

Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.

Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.