Archive for the ‘Coisas da Vida’ Category

A Cultura do "Não"

Sunday, July 19th, 2009

 

Às vezes nos perguntamos por que certas coisas em nossas vidas não deram certo ou não saíram exatamente do jeito que gostaríamos. Mesmo nos doando ao máximo às atividades do dia-a-dia, nos frustramos com os resultados obtidos.

O que pretendo mostrar é algo muito presente em nosso cotidiano, mas que passa despercebido aos nossos ouvidos. Nós somos negativistas por natureza. É só prestarem atenção em uma palavrinha presente em boa parte de nossas conversas. O “não”. Ao mesmo tempo que alguém pode considerar isso uma bobagem, outra pessoa achará isso cômico. Os dois sentimentos se mesclam aqui na medida certa.

Alguns exemplos. Dificilmente você ouve alguém perguntar: “Você foi lá ontem?”, “Ele fez o que eu pedi?”, “Será que ela trará minha encomenda?” ou “Tem aquele arquivo contigo?”. O que se escuta são as mesmas frases acima, só que com um pequeno acréscimo: “Você NÃO foi lá ontem?”, “Ele NÃO fez o que eu pedi?”, “Será que ela NÃO trará minha encomenda?” ou “NÃO tem aquele arquivo contigo?”.

É tão automático o uso do “não” que a gente simplesmente não percebe que está falando. Nós já perguntamos as coisas de maneira negativa. Então esperar uma resposta também negativa é conseqüência.

Nos últimos tempos surgiu mais uma pequena palavra em meio às frases que utilizamos que também denota negatividade, pois determina exclusão. Aliado ao “não”, apareceu o “ou”, ou seja, surgiu a cultura do “ou não”. Vejam exemplos que já ouvi: “Faremos o relatório para ver se há necessidade de implantação do projeto, OU NÃO”, “Faz assim que dá certo, OU NÃO”, “Ele levou os papéis no banco pra ver se vai ser aceito OU NÃO”. Com o perdão da redundância, NÃO há necessidade de usar o “não” e o “ou não” nas frases, mas a gente insiste em usá-las.

Como disse no segundo parágrafo, o ser humano é negativo por natureza. Quem sabe se reduzirmos essas pequenas e tão deprimentes palavras de nosso vocabulário as coisas que almejamos possam vir ao nosso encontro de maneira tão especial? Sejamos positivos com aquilo que objetivamos. De nada adianta planejar, fazer, analisar e agir se nós mesmos já imaginamos que os resultados não serão satisfatórios.

Aqui estou buscando mostrar o lado sério disso tudo, mas tanto em casa quanto em meu trabalho já brinco com todo mundo com relação a isso. Se alguém me pergunta, por exemplo, “se eu NÃO fui no jogo ontem”, respondo com outra pergunta: “Você quer saber se eu fui OU NÃO fui?”. Provavelmente na tentativa de fazer essa pessoa evaporar da sua mente esse costume.

Vamos usar a brincadeira para acabar com esse vício de linguagem. Assim como ouvimos “subir pra cima”, “entrar pra dentro”, “elo de ligação”, “encarar de frente”, “goteira no teto”, “surpresa inesperada” e tantas outras bobagens, usaremos nosso bom humor para tornar nossas vidas ainda mais prazerosas. O “sim” é uma palavra tão bonita e sai tão levemente de nosso lábios. Mesmo sem utilizá-la, percebe-se a sua presença naquilo que falamos ou demonstramos. O diálogo torna-se muito mais produtivo se todos estiverem com idéias positivas.

 

Aproveite o seu dia

Friday, June 19th, 2009

 

Aí um dia você toma um avião para Paris, a lazer ou a trabalho, em um vôo da Air France, em que a comida e a bebida têm a obrigação de oferecer a melhor experiência gastronômica de bordo do mundo, e o avião mergulha para a morte no meio do Oceano Atlântico. Sem que você perceba, ou possa fazer qualquer coisa a respeito, sua vida acabou. Numa bola de fogo ou nos 4.000 metros de água congelante abaixo de você naquele mar sem fim.

Você que tinha acabado de conseguir dormir na poltrona ou de colocar os fones de ouvido para assistir ao primeiro filme da noite ou de saborear uma segunda taça de vinho tinto com o cobertorzinho do avião sobre os joelhos. Talvez você tenha tido tempo de ter a consciência do fim, de que tudo terminava ali. Talvez você nem tenha tido a chance de se dar conta disso.

Tudo que ia pela sua cabeça desaparece do mundo sem deixar vestígios. Como se jamais tivesse existido. Seus planos de trocar de emprego ou de expandir os negócios. Seu amor imenso pelos filhos e sua tremenda incapacidade de expressar esse amor. Seu medo da velhice, suas preocupações em relação à aposentadoria. Sua insegurança em relação ao seu real talento, às chances de sobrevivência de suas competências nesse mundo que troca de regras a cada seis meses. Seu receio de que sua mulher, de cuja afeição você depende mais do que imagina, um dia o deixe. Ou pior: que permaneça com você infeliz, tendo deixado de amá-lo. Seus sonhos de trocar de casa, sua torcida para que seu time faça uma boa temporada, o tesão que você sente pela ascensorista com ar triste. Suas noites de insônia, essa sinusite que você está desenvolvendo, suas saudades do cigarro. Os planos de voltar à academia, a grande contabilidade (nem sempre com saldo positivo) dos amores e dos ódios que você angariou e destilou pela vida, as dezenas de pequenos problemas cotidianos que você tinha anotado na agenda para resolver assim que tivesse tempo. Bastou um segundo para que tudo isso fosse desligado. Para que todo esse universo pessoal que tantas vezes lhe pesou toneladas tenha se apagado. Como uma lâmpada que acaba e não volta a acender mais.

Então, aproveite bem o seu dia. Extraia dele todos os bons sentimentos possíveis. Não deixe nada para depois. Diga o que tem para dizer. Demonstre. Seja você mesmo. Não guarde lixo dentro de casa. Não cultive amarguras e sofrimentos. Prefira o sorriso.. Dê risada de tudo, de si mesmo. Não adie alegrias nem contentamentos nem sabores bons. Seja feliz. Hoje. Amanhã é uma ilusão. Ontem é uma lembrança. No fundo, só existe o hoje.

Um lindo dia pra você.

 

Pense Nisso!

Tuesday, April 14th, 2009

 

As crianças têm sonhos. E não há limites para os seus sonhos. Elas são princesas, super-heróis. Sonham salvar o Mundo de toda maldade. Acreditam-se com poderes infinitos.

Sonham em alcançar as nuvens, em fazer todo mundo feliz, em ter muito dinheiro para distribuir brinquedos para todas as crianças. Sonham e sonham.

Mas todas as crianças crescem e se tornam adultas. E, quase sempre, esquecem dos seus sonhos. Desencantam-se ao contato com a realidade. Ou talvez encontrem muitos adultos desencantados que as façam acreditar que não podem perseguir os seus sonhos.

A pequena Jean, na terceira série, era um exemplo típico. Filha de um piloto, sonhava voar. Um dia, em uma redação, ela colocou todo seu coração e revelou seus sonhos: ser piloto de avião, ver as nuvens, saltar de pára-quedas.

Era meado do século XX. A sua nota foi zero, porque, segundo sua professora, todas as profissões que ela listara não eram para mulheres. Jean foi massacrada, no decorrer dos anos seguintes, pela negatividade de muitos adultos. Garotas não podem ser pilotos de avião. Não são suficientemente inteligentes para isso. E ela desistiu.

No último ano do ensino médio, a professora de inglês pediu que os alunos escrevessem sobre o que estariam fazendo dentro de 10 anos. Jean descartou piloto, aeromoça, esposa. E escreveu: garçonete. Afinal, pensou, aquilo ela seria capaz de fazer. Duas semanas depois, a professora colocou a folha com a resposta de cada um dos alunos, virada para baixo, na frente de cada um deles. E agora pediu que escrevessem o que cada um deles faria se tivessem acesso às melhores escolas, a dinheiro ilimitado, a habilidades ilimitadas.

Quando terminaram, ela deu a grande lição: Tenho um segredo para todos vocês. Vocês têm acesso a boas escolas. Vocês podem conseguir muito dinheiro, se desejarem algo com muito vigor. Se não correrem para concretizar os seus sonhos, ninguém o fará por vocês. Vocês têm muita potencialidade. Não deixem de utilizá-la.

Jean ficou animada e ao mesmo tempo amedrontada. Depois da aula, foi falar com a professora e lhe segredou seu desejo de ser piloto.

Então, seja! Foi o que ouviu.

E Jean resolveu concretizar o seu sonho. Foram 10 anos de trabalho duro, encarando oposições, hostilidades, rejeição, humilhação. Tornou-se piloto particular. Conseguiu graduação para transportar carga e pilotar aviões de passageiros. Mas não recebia promoção porque era mulher. Não desistiu. Foi em frente. Fez tudo o que a professora da terceira série disse que era um conto de fadas.

Ela pulverizou plantações, pulou de pára-quedas centenas de vezes. Em 1978, Jean Harper foi uma das três primeiras mulheres a serem aceitas como piloto pela United Airlines. Por fim, tornou-se piloto de Boeing 737 na mesma empresa aérea. Tudo, graças ao poder de uma palavra positiva bem colocada.

Pense nisso!

Se você abandonou os seus sonhos, é tempo de retomá-los. Não diga que é tarde, que você está velho demais, que não consegue mais. Decida-se e parta para a luta! Estude, persevere, conquiste. Utilize a força de sua fé. Acredite e invista no seu potencial.

Lembre-se: você pode ser o que quiser, se desejar o bastante e não perder o foco do seu ideal. Seja a sua meta tocar as estrelas. Vá em frente!

Um lindo dia pra você.

 

Os Meus Ouvidos

Monday, March 23rd, 2009

 

Há um tempo atrás em certa ocasião, uma amiga concedeu-me o titulo de melhor pessoa pra se conversar que ela conhecia. Julgando pelo extenso circulo de convivência desta amiga, fiquei, por hora, enaltecido com o elogio. Porém. Pensando sobre o mesmo horas depois, a exaltação da minha vaidade com o elogio perdeu status. Pois me lembrei de um fato fundamental em uma conversa, para se conversar impreterivelmente temos que conversar com alguém, em um movimento de troca de forma que os dois falem. Na relação entre eu e essa minha amiga, horas depois do elogio me lembrei que quando ela dizia que conversávamos na verdade era outra coisa que por hora não sei classificar. Naquele caso eu só ouvia e ela só falava. Como então eu poderia ser uma pessoa boa pra se conversar? Talvez pela atenção que eu demonstrava aos proclames pessoais dela.

Vida que segue, anos depois, preservada pelo meu silêncio, minha capacidade de ouvir ficou intacta e cada vez mais valiosa. Elogios semelhantes ao que citei no inicio desta crônica ficaram comuns. Falando pouco e ouvindo muito continuei atraindo falantes necessitados de ouvidos. Dispus-me a ouvir de tudo, até os assuntos que nem de longe me interessavam. Ouvi, ouço e continuarei ouvindo. Pois muito do que sou hoje devo aos meus ouvidos, me arrisco a dizer que minha audição entre meus sentidos é o dominante, muito do que sou devo a ela.

Não dá para ouvir falando, logo me mantenho em silêncio para ouvir melhor. Isso faz algumas pessoas confundirem silêncio com tristeza, esse tipo de percepção é uma herança eterna dos poetas. Mais meu silêncio raras vezes pressupõe tristeza. Sou um simples ouvinte calado e, feliz por isso.

Afinal, muitas das poucas, mais festejadas amizades verdadeiras que tenho se beneficiam desta minha característica. Apenas ouvir. Talvez esteja ai o meu “IBOPE” pois procurar profissionais que desempenham esse tipo de função por “m” motivos nem sempre é atrativo. Afinal querendo ou não é uma coisa formalizada, que pressupõe aceitação de que precisamos de ajuda, o que já da “pano pra manga” mesmo sem levar em conta o investimento financeiro é uma exigência maior que a maioria das pessoas estão dispostas a submeter-se.

A todos aqueles que elegem meus ouvidos como merecedores de suas confissões saibam que eles se alegram mais e mais a cada palavra escutada. Me orgulho muito de meus ouvidos, sobretudo, de faze-los funcionar em um mundo onde as pessoas falam cada vez mais e ouvem cada vez menos o que vai me tornando uma pessoa rara.

Conseqüência: continuo ouvindo, pois minha audição é talvez a maior fonte para as idéias que sustentam meus textos.

 

Um Saldo Favorável

Saturday, December 6th, 2008

 

Algo que muitas pessoas se perguntam, e a outros perguntam, é o que levaremos, e para onde iremos após nossa partida deste mundo.

Muitos acreditam em vida após a morte, outros já acham que simplesmente ao pó retornaremos, pois foi dele que viemos. Tem aqueles que acreditam que iremos para o céu, outros temem o inferno ou o purgatório. O certo é que a dúvida existe. E é algo que na realidade depende de nós. De como estamos vivendo esta vida. Contudo, também temos que analisar o que levaremos conosco ainda antes da partida, pois claro que em nossa vida existiram, existem e existirão coisas pequenas e grandes, que levaremos conosco até o fim, e que dependerá do que fizemos durante nossa passagem.

Existirão lembranças de fatos que sempre serão inesquecíveis para nós, acontecimentos que nos marcaram, e que mexeram com nossa existência, modificando-a em algum instante. Pode ser um fato corriqueiro, mas que acabou tendo influência em nosso comportamento. Talvez uma ajuda recebida, ou prestada. Enfim, algo cuja lembrança nos acompanhará, razão pela qual jamais deveremos desejar o mal para alguém, pois pensamentos e fatos negativos, serão más recordações.

Não é agradável lembrar que fomos responsáveis pelo sofrimento de alguém. Certamente iremos colecionando essas coisas, sempre procurando colocar em ordem de grandeza cada detalhe que nos foi importante, cada momento que mexeu com nossa existência, deixando alguma marca. Algumas, mais profundas, outras superficiais. Todas, contudo, significando algo. Meros detalhes que guardaremos conosco, pois apenas para nós serão importantes, embora envolvendo terceiros, já que estes, terão suas lembranças, e nós seremos apenas detalhes.Cada um com suas recordações, com seus erros e acertos, suas culpas e desculpas.

Possivelmente o que foi bom para nós, não o foi para alguém. Por exemplo, aquele bom emprego que conseguimos. Para nós foi ótimo, mas para quem conosco competia, foi algo de muito negativo. Nessas lembranças muitos fatos nos passarão pela lembrança, uma música, um livro, uma poesia, uma carta, um e-mail, uma viagem, uma frase, algo que lemos, que nos foi dito, ou que simplesmente vivemos num determinado momento que nos foi significativo.

Quantas vezes um raiar de sol, ou mesmo uma flor, uma pequena lembrança, ou uma palavra amiga num momento preciso nos trazem doces recordações. Até mesmo um sentimento que foi abandonado, uma decepção, a perda de alguém querido, aquele encontro casual, ou mesmo quando deliberadamente provocamos um desencontro, representam alguma mudança em nossa vida. São pequenos detalhes que poderão formar uma somatória de fatos a nos acompanhar para sempre.

Aquela linda amizade que um dia tivemos, e que por razões diversas terminou, ou aquele sonho que foi realizado após muita luta, ou mesmo aquele que não o foi. Pode ser simplesmente um instante, um olhar, um sorriso, um perfume, um beijo, pequenos detalhes, “tantas coisinhas miúdas…”, e que no momento passam despercebidas, mas depois, quantas recordações…

Para sempre teremos na lembrança pessoas que foram muito queridas, ou não, mas ficarão guardadas dentro de nós. Algumas, porque nos dedicaram uma grande amizade, outras porque foram por nós amadas, ou que nos amaram. Outras ainda, por nos terem decepcionado. Mesmo aquelas cuja passagem foi muito rápida, mas que deixaram marcas profundas, porque plantaram dentro de nós algo de bom. Alguém que nos estendeu a mão quando outros nos empurravam. Alguém que modificou positivamente nossa vida. Alguém que soube nos aconselhar num momento difícil.

Quando estivermos próximos ao fim, é que saberemos realmente a qualidade de vida que tivemos, pela quantidade de marcas que estivermos carregando, e o que elas nos representam, e em que sentido modificaram nossa vida. Será quando poderemos realmente avaliar o que fizemos em nossa passagem. Se espalhamos amizade ou inimizade. Se seremos lembrados com amor ou com rancor. Se deixamos alegrias ou tristezas. Se tivemos uma vida de vitórias ou derrotas. Se apenas vivemos de sonhos, ou se os realizamos.

Deveremos viver de maneira a deixar pelo menos, um saldo favorável. Que nossa partida deixe mais boas do que más lembranças. Que nossa coluna do “Deve e Haver” não apresente saldo negativo.

Respeitar, para ser respeitado. Amar para ser amado. São os princípios que devem nortear nossa vida. E se notarmos que alguém nos tenta prejudicar, o melhor é procurar se afastar, ao invés de procurar polemizar. Apenas entrando em alguma disputa, quando for inevitável, quando for caso de legítima defesa.

L´Inconnu sempre nos deixa citações notáveis, como esta por exemplo:
“Pensem sempre que hoje é só o começo de tudo, que se houver algo errado ainda está em tempo de ser mudado e que o resto de nossa vida de certa forma ainda está em nossas mãos. E se algo precisa ser mudado, que mudemos, sem hesitar.”

 

O Inferno Existe

Sunday, October 19th, 2008

 

Sim, o inferno existe. Ele é individual, pessoal e intransferível. Cada pessoa carrega o seu onde quer que vá, feito por ela própria, da mesma forma que carrega o paraíso quando escolheu a opção oposta.

A receita para fazer um inferno é simples.

As pessoas nascem sabendo como se faz isso e o fazem sem perceber que sabem como fazê-lo.

Em todo caso, para aqueles que ainda não possuem seu inferno, aqui vai a receita de como montá-lo de forma eficiente e eficaz:

Comece por aceitar todas as idéias prontas que surgem. Acredite que tudo que vem da televisão é verdadeiro. Minta, minta bastante. Nunca, em hipótese alguma, pare para questionar alguma coisa. Pensar com critérios sérios, escolhendo com bom senso, agindo sinceramente consigo mesmo, são espécies de “contra receita” para fazer um inferno. Ou seja, haverá fracasso na sua criação.

Atenção! Isto é importante: jamais seja sincero.

Falar demais e pensar de menos é um aditivo importante no processo. Os desentendimentos que isso causa, pode acelerar a construção do inferno, sensivelmente.

Endividar-se além das possibilidades do ganho, é outro comportamento importante, para obter êxito no pleito. Portanto, poupança nem pensar.

Ao invés de dedicar-se na tarefa de descobrir as capacidades inatas em si mesmo, passando apenas a sentir inveja daqueles que o fazem, é algo que colabora demais na construção infernal.

Acreditar naquelas pregações baratas cujo único objetivo é o saldo de uma conta bancária, ajuda demais. O processo é mais rápido, para aquelas pessoas que emprestam sua fé para os outros, por preguiça de procurar ela mesma a verdade.

Outro componente infalível na receita, é sempre procurar trabalhar no que não gosta, ou não tentar – ao menos – descobrir algo para gostar no trabalho que faz.

Acreditar no que dizem os políticos, sem pesquisar se há alguma verdade ali e depois vote naquele que achar mais simpático, carismático, eloqüente e, como diria o sábio povo da roça, “escorregadio”. Interessante neste caso é que não haverá colaboração apenas para a construção do inferno da própria pessoa que o deseja, mas também, para a coletividade no entorno.

Sim, existem pessoas que laboram pela construção de um inferno coletivo. Mas isso, na verdade, é apenas uma “aglomeração” de infernos próximos. As guerras acontecem dessa forma. Seus arquitetos são exímios construtores de inferno.

Outra parte importante da receita: ignore os conselhos paternos.

Agora existem ingredientes sutis na receita. Fazem parte da categoria dos sentimentos.

Cultivar a indiferença, dizendo que nada tem a ver com o problema que afeta as outras pessoas. Aceitar o ciúme como algo normal, extrapolando na ilusão da propriedade sobre o outro, arrasando relacionamentos, é certeza da construção de um inferno bastante sólido, cuja reversão custará um oceano de lágrimas.

Ampliar o repertório de desculpas. Afinal, aquele que passa fome faz isso por conta própria. Isso é algo assim como o rabo do elefante afirmando que não pertence ao elefante, simplesmente por que não o pode ver por inteiro.

Esta parte da receita, sozinha, é capaz de montar um inferno amplo, pois os preteridos da vida, sempre acabam por se voltar contra tudo e todos, indiscriminadamente. Esse é o famoso “inferno que vem a cavalo”.

Deixar as crianças por si mesmas entregues a toda sorte de vicissitudes é algo que, não apenas ajuda a criar um inferno, mas faz com que ele se amplie geometricamente, como se tivesse vida própria.

Não fazer agora o que deve ser feito agora, perdendo-se o momento adequado, é algo que auxilia demais. Mesmo porque, depois, a inutilidade do arrependimento é um fardo do qual será impossível se livrar, aliás, esse é o inferno agregado.

Porém, se o objetivo é criar o paraíso, apenas inverta a receita